quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A HORA DE JAQUES WAGNER


    Wagner pode ser para a Dilma o que Dilma foi para o Lula.

    O PT não tem um político com o currículo de Jaques Wagner: derrotou o carlismo baiano três vezes no 
    primeiro turno.
    Com exceção de Lula – e dos que estão em liberdade – o PT não tem uma cabeça política como a de 
    Wagner.
    Política é o campo dele.
    (A “indicação” para a Petrobras é um fogo amigo de origem conhecida …)
    Wagner poderia trabalhar com a ajuda de Miguel Rossetto, que, durante a campanha, ganhou a 
    confiança de Dilma e se mostrou eficaz.
    Wagner, Rossetto, Lula e José Dirceu (in absentia …) – é como a Dilma pode enfrentar o 
    impeachment que está nas ruas e no PiG.
    Onde ?
    Wagner pode ir para a Casa Civil, para o Ministério da Justiça (vago há quatro anos), Relações 
    Institucionais, Secretaria Geral da Presidência (situação em que a Casa Civil se tornaria uma 
    “Secretaria da Administração do Governo”).
    O lugar é o de menos.
    O importante é que TODOS – Governo e Oposição – saibam quem é o Político do Governo.
    Como dizia o mestre Fernando Lyra: quando eu tenho um problema político, eu ligo pra quem ?
    Wagner poderia ser para a Dilma o que a Dilma foi para o Lula.
    Dilma cuidou do PAC e Lula da Política – para elege-la.
    Wagner cuidaria da Política, para Dilma cuidar do Governo – e inaugurar obras.
    Wagner não pode ir para um posto em que Dilma “mande” nele.
    Wagner não pode ser mandado.
    O currículo dele não permite.
    Entre os dois tem que haver uma relação de equivalência – os dois ganharam.
    Um é bom numa coisa, o outro, na outra.
    Dilma, em menos de 30 dias de uma vitória espetacular, cometeu alguns erros políticos que equivalem 
    ao que Mino Carta chama de “desastre ferroviário”.
    Deu o bolo no Mino, o que reforçou o PiG e enfraqueceu os que a defendem, na luta com o Golpe 
    pigal.
    Costeou o alambrado da Ley de Medios, o que só fez botar lenha no Golpe do PiG desde agora, tão 
    cedo no segundo mandato.
    Disse que “não representa o PT”, mas todos os brasileiros.
    Poderia ter dito “represento todos os brasileiros PORQUE fui eleita pelo PT”, um partido de todos.
    Uma “representação” não exclui a outra, mas a reforça.
    Ela faz restrições ao PT ?
    Quem não faz, amigo navegante, especialmente ao PT de São Paulo, dos Suplicy e do zé da Justiça ?
    (Como já disse o Wagner, o PT tem que sair de São Paulo, que não pensa o Brasil, como dizia 
    Fernando Lyra.)
    Mas, o que fazer ?
    Vai governar com o Labour da Inglaterra ?
    São Paulo não vai esperar quatro anos.
    Esse segundo mandato é um mandato da Política.
    E aí, como diria o Lula, ela não tem mando de campo.
    E o jogo político não se faz por si próprio.
    Ou você suja as mãos de graxa e vai para a batalha do dia-a-dia, ou você morre.
    O jogo político da Dilma não pode ser conduzido pelo PMDB, já que o PT, bem … o PT, cadê o PT ?
    Wagner é judeu, carioca, fez carreira na Bahia e foi à festa do Mino …
    Deu a Dilma 70% dos votos da Bahia e 67% dos votos de Salvador (governada por um carlista).

    Paulo Henrique Amorim
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