sexta-feira, 14 de junho de 2019

Servidores denunciam O Ficha Suja Ricardo Salles à Comissão de Ética Pública e ao MPF

O Sinistro Ficha Suja do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles
Servidores do Ministério do Meio Ambiente e órgãos ligados à pasta denunciaram o ministro 
Ricardo Salles à Comissão de Ética Pública da Presidência da República e ao Ministério Público 
Federal. De acordo com o documento enviado à Comissão e assinado pela Associação dos 
Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do Ibama (Asibama/DF), os 
funcionários acusam Salles de difamar deliberadamente a imagem e a honra dos trabalhadores e a 
integridade dos órgãos como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A denúncia se baseia em postagens do ministro nas redes sociais desde sua posse, em janeiro, e no 
pronunciamento feito em abril, no Rio de Grande do Sul, determinando abertura de processo 
disciplinar contra todos os profissionais do ICMBio. 
A justificativa era de que eles não 
compareceram a uma reunião. Os servidores afirmam que não foram informados do evento. Outras 
situações também são mencionadas. 
A representação menciona um postagem no Twitter em que Salles expôs um servidor dizendo que a 
capacitação dele no exterior para aprender outras línguas tinha sido paga pelo poder público. E 
também outra manifestação, em resposta a um internauta, em que afirma que vai fortalecer os órgãos 
ambientais “com gente séria e competente”, pois com "bicho grilo chuchu beleza já tá provado que 
não funciona".
Os documentos foram protocolados na Comissão de Ética Pública e no Ministério Público Federal 
em 7 de junho. A representação feito ao Ministério Público Federal pede que o ministro seja 
investigado por impor entraves ao funcionamento do órgãos ambientais e questiona, por exemplo, a 
transferência do Serviço Florestal Brasileiro do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da 
Agricultura e Pecuária. “Isso representou uma submissão formal das normas ambientais, em especial 
do Cadastro Ambiental Rural, aos interesses do agronegócio”, avalia o documento. Os servidores 
também pedem apuração sobre a instrução normativa que criou o Sistema Integrado de Manejo de 
Fauna. Com a norma, passou a ser permitido o uso de armadilhas e de cães para a caça, o que pode 
possibilitar, segundo a denúncia, prática de maus tratos contra esses animais.
O Congresso em Foco entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente e aguarda o 
posicionamento do ministro.
Estes não são os únicos órgãos que podem apurar a conduta de Ricardo Salles à frente do Ministério 
do Meio Ambiente. No final de maio, o Tribunal de Contas da União abriu uma representação para 
apurar as políticas que Salles tem adotado à frente da pasta. A averiguação será feita a pedido do 
subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado. O subprocurador aponta 
uma "possível ineficiência e deficiente fiscalização dos órgãos públicos" para a preservação do meio 
ambiente. Furtado pede apuração sobre três pontos: o trabalho do ministério no combate ao 
desmatamento, a liberação de agrotóxicos e a alegação da pasta de que há "inconsistência" em 
repasses ao Fundo Amazônia, instrumento de captação de doações estrangeiras para a proteção da 
floresta.

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