quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CUBA MANDA GOVERNO BOLSOMORO A M..... E SE RETIRA DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS


O ministério da Saúde Pública de Cuba publicou nesta quarta-feira (14) uma nota em que 
comunica a retirada dos médicos cubanos do programa Mais Médicos no Brasil. Os motivos 
alegados pelos cubanos são as declarações ameaçadoras e unilaterais do presidente eleito Jair 
Bolsonaro (PSL). O documento analisa o programa Mais Médicos desde seu inicio com a 
presidenta Dilma Rousseff em 2013. Informa também que o programa foi realizado através da 
Organização Panamericana de Saúde.
Dados sobre o Fim da Cooperação com a OPAS e Cuba no Programa Mais Médicos:
1) De uma só vez, sairão mais de 8.500 médicos cubanos dos locais onde estão hoje trabalhando.
2) eles estão em 2.885 municípios do país, sendo a maioria nas áreas mais vulneráveis: Norte do 
país, semiárido nordestino, cidades com baixo IDH, saúde indígena, periferias de grandes 
centros urbanos.
3)  1.575 municípios só possuem médicos cubanos do Programa, sendo que 80% desses 
municípios são pequenos (menos de 20 mil habitantes) e localizados em regiões vulneráveis.
4) Existem 300 médicos cubanos atuando nas aldeias indígenas. Isso é 75% dos médicos que 
atuam na saúde indígena do país.
5) Os locais onde os cubanos atuam foram oferecidos antes a médicos brasileiros, que não 
aceitaram trabalhar.
6) sobre a substituição dos cubanos por médicos brasileiros: em 5 anos de Programa, nenhum 
edital de contratação de médicos brasileiros conseguiu contratar essa quantidade de 
profissionais. O maior edital contratou 3 mil brasileiros.
Após ameaças de Bolsonaro, Cuba vai se 
retirar do Mais Médicos
Nos cinco anos de Mais Médicos, cerca de 20 mil profissionais cubanos atenderam a mais de 100 
milhões de pacientes brasileiros, com aprovação de cerca de 95% da população. Mais de 700 
municípios brasileiros tiveram nos cubanos o atendimento médico pela primeira vez.
Mesmo com o golpe de 2016, a cooperação entre os países prosseguiu sem maiores problemas.
Mas o presidente eleito, Jair Bolsonaro, fez declarações consideradas inaceitáveis pelos cubanos. O 
documento cita o questionamento desrespeitoso da qualidade e do profissionalismo dos médicos de 
Cuba.
Segundo os cubanos, Bolsonaro quer fazer alterações unilaterais no projeto para contratar os médicos 
de maneira individual, à revelia de Cuba e da Organização Panamericana de Saúde.
O documento afirma ainda que é inaceitável o questionamento da dignidade e do altruísmo dos 
profissionais cubanos, que já cumpriram 600 mil missões em 164 países.
Confira a íntegra do documento:
O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios solidários e humanistas que durante 55 anos têm guiado a cooperação médica cubana, participa desde seus começos, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa de Dilma Rousseff, nessa altura presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir a atenção médica à maior quantidade da população brasileira, em correspondência com o princípio de cobertura sanitária universal promovido pela Organização Mundial da Saúde.
Este programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em zonas pobres e longínquas desse país.
A participação cubana nele é levada a cabo por intermédio da Organização Pan-americana da Saúde e se tem caracterizado por ocupar vagas não cobertas por médicos brasileiros nem de outras nacionalidades.
Nestes cinco anos de trabalho, perto de 20 mil colaboradores cubanos ofereceram atenção médica a 113.359.000 pacientes, em mais de 3.600 municípios, conseguindo atender eles um universo de até 60 milhões de brasileiros na altura em que constituíam 88 % de todos os médicos participantes no programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.
O trabalho dos médicos cubanos em lugares de pobreza extrema, em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Baía, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, sobretudo na Amazônia, foi amplamente reconhecida pelos governos federal, estaduais e municipais desse país e por sua população, que lhe outorgou 95% de aceitação, segundo o estudo encarregado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.
Em 27 de setembro de 2016 o Ministério da Saúde Pública, em declaração oficial, informou próximo da data de vencimento do convênio e em meio dos acontecimentos relacionados com o golpe de estado legislativo-judicial contra a Presidenta Dilma Rousseff que Cuba “continuará participando no acordo com a Organização Pan-americana da Saúde para a implementação do Programa Mais Médicos, enquanto sejam mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais”, o que até o momento foi respeitado.
O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, fazendo referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-americana da Saúde e ao conveniado por ela com Cuba, ao pôr em dúvida a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa a revalidação do título e como única via a contratação individual.
As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis que não cumprem com as garantias acordadas desde o início do Programa, as quais foram ratificadas no ano 2016 com a renegociação do Termo de Cooperação entre a Organização Pan-americana da Saúde e o Ministério da Saúde da República de Cuba. Estas condições inadmissíveis fazem com que seja impossível manter a presença de profissionais cubanos no Programa. Por conseguinte, perante esta lamentável realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba decidiu interromper sua participação no Programa Mais Médicos e foi assim que informou a Diretora da Organização Pan-americana da Saúde e os líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa.
Não aceitamos que se ponham em dúvida a dignidade, o profissionalismo, e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de seus familiares, prestam serviço atualmente em 67 países. Em 55 anos já foram cumpridas 600 mil missões internacionalistas em 164 nações, nas quais participaram mais de 400 mil trabalhadores da saúde, que em não poucos casos cumpriram esta honrosa missão mais de uma vez. Destacam as façanhas de luta contra o ébola na África, a cegueira na América Latina e o Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias “Henry Reeve” no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.
Na grande maioria das missões cumpridas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano. Igualmente, em Cuba formaram-se de maneira gratuita 35 mil 613 profissionais da saúde de 138 países, como expressão de nossa vocação solidária e internacionalista.
Em todo momento aos colaborados foi-lhes conservado seu postos de trabalho e o 100 por cento de seu ordenado em Cuba, com todas as garantias de trabalho e sociais, mesmo como os restantes trabalhadores do Sistema Nacional da Saúde.
A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana no mesmo, demonstra que sim pode ser estruturado um programa de cooperação Sul-Sul sob o auspício da Organização Pan-americana da Saúde, para impulsionar suas metas em nossa região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas em cooperação triangular e a implementação da Agenda 2030 com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Os povos da Nossa América e os restantes do mundo bem sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais.
O povo brasileiro, que fez com que o Programa Mais Médicos fosse uma conquista social, que desde o primeiro momento confiou nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, a sensibilidade e o profissionalismo com que foram atendidos, poderá compreender sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não possam continuar oferecendo sua ajuda solidária nesse país.

Havana, 14 de novembro de 2018.

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