sábado, 19 de março de 2016

Lula se emociona ao ouvir relato de detenção; veja a íntegra do discurso


Os olhos de Lula se encheram de lágrimas quando oradores que o precederam narraram fatos 
relativos às últimas semanas, especialmente a condução coercitiva ordenada pelo juiz Sérgio 
Moro

por Luiz Carlos Azenha

A presença de público surpreendeu. Lá estavam sindicalistas, petistas de carteirinha mas também 
eleitores que não votam necessariamente no PT mas já perceberam que há algo de errado com a 
campanha difamatória a que o ex-presidente Lula foi submetido nos últimos meses.
Havia jovens, muitos jovens, representantes de uma grande variedade de movimentos sociais e gente 
simplesmente preocupada com a ascensão da extrema-direita no Brasil.
Por um dia que seja, a coalizão que levou Dilma ao segundo mandato parecia energizada na avenida 
Paulista.
Houve música em vários palcos, cartazes desenhados à mão e apenas um incidente: provocadores da 
direita estavam abrigados no prédio da FIESP, fortemente protegido por um aparato policial da PM 
paulista.
De uma marquise, equipes de televisão filmavam.
Depois de gritar palavras de ordem contra a entidade empresarial e a Rede Globo, alguns 
manifestantes se envolveram numa escaramuça, dispersada com o uso de gás pimenta.
Pareceu arapuca armada para gerar imagens de violência. Depois de alguns momentos de tensão, a 
estação de metrô diante da Federação das Indústrias foi aberta para que a dúzia de direitistas em 
pânico batesse em retirada.
O ponto alto da manifestação foi o discurso de Lula. Acreditando que tomaria posse no cargo de 
ministro da Casa Civil na próxima terça-feira, o ex-presidente disse que tinha voltado a ser o 
“Lulinha paz e amor”.
Ele focou sua fala no argumento de que os presentes não poderiam e nem deveriam aceitar ser 
tratados como cidadãos de segunda classe.
Frisou que a multidão tinha se reunido ali sem contar com a ampla publicidade da mídia. Lula não 
mencionou o juiz Moro, nem a TV Globo, que parecem parte de uma articulação para prendê-lo e 
incapacitá-lo de disputar eleições.
Porém, na fala que antecedeu a de Lula, o prefeito Fernando Haddad disparou petardos em direção à 
Justiça, dizendo que a manifestação não era em defesa do PT, nem de Dilma, nem mesmo de Lula: 
era em defesa da democracia. Haddad condenou a espetacularização das ações judiciais e disse que 
era inaceitável que alguém que sempre se dispôs a depor tivesse sido arrancado de sua casa às 6 da 
manhã.
Lula ficou emocionado com a fala de Haddad e contorceu o rosto como se demonstrasse 
inconformismo com os acontecimentos das últimas semanas.
A fala de Lula acabou sendo a menos “combativa”. Gulherme Boulos, do MTST, ao discursar, 
prometeu resistência a qualquer saída ilegal para a crise política. O presidente da Câmara, Eduardo 
Cunha, foi criticado por não ter credibilidade para conduzir o processo de impeachment de Dilma 
Rousseff.
Quando petistas deixaram a manifestação na Paulista, puderam ouvir a comemoração em bairros 
adjacentes, especialmente em Higienópolis, quando se anunciou que o ministro do STF Gilmar 
Mendes tinha decidido suspender a posse de Lula na Casa Civil atendendo a pedido do PPS. O 
drama continua.

Veja abaixo o discurso de Lula de diferentes ângulos:




Lula na Paulista from Luiz Carlos Azenha on Vimeo.

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