quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

UM 2015 DE MALDADES: A MARCHA DA INSENSATEZ DO PIG COM EDUARDO CÚ-NHA



Luis Nassif

O ano não promete ser fácil.
Na política econômica, o pacote de maldades do Ministro da Fazenda Joaquim Levy impactará a 
atividade econômica e o emprego. O realinhamento de tarifas afetará os preços. Quando vier para 
valer, a falta de água em São Paulo, criará um clima insuportável. A Lava Jato manterá elevada a 
temperatura política e afetará a produção industrial e as obras de infraestrutura.
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Por tudo isso, só pode se entender como marcha da insensatez o apoio incondicional dado pelos grupos 
de mídia à candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. Para a mídia, Cunha 
tornou-se um novo sir Galahad, em substituição ao pio ex-senador Demóstenes Torres.
Por várias razões, é uma jogada de alto risco.
Do lado político, por ser um fator a mais de ingovernabilidade.
Do lado ético, por desnudar de forma implacável os chamados princípios morais da mídia.Veja aliou-se 
ao bicheiro Carlinhos Cachoeira; alçou o ex-senador Demóstenes Torres à condição de paladino da 
moral e dos bons costumes; blindou todas as estripulias do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo 
Tribunal Federal); escondeu todos os malfeitos de José Serra.
Mas todos esses episódios foram cometidos nos bastidores.
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Mas, Eduardo Cunha?! Cunha começou sua vida pública aliado de PC Farias, e foi processado como 
tal. Depois, assumiu um cargo na companhia habitacional do Rio, no governo Garotinho, e foi acusado 
de desvios. Teve envolvimento direto com uma quadrilha que fraudava ICMS em distribuidoras de 
gasolina.
Na Câmara, seu trabalho diuturno foi articular lobbies de grandes grupos. Nas últimas eleições, 
financiou a candidatura de dezenas de deputados, com recursos repassados por grupos econômicos 
com a finalidade única de fazer negócios.
Cunha é a definição impura e acabada do parlamentar negocista – aquele contra quem o moralismo da 
mídia deblatera dia e noite.
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E o que se pretende com esse apoio? Apenas o desgaste do governo. O governo Dilma não precisa de 
ajuda para se desgastar: sabe se desgastar sem a ajuda de ninguém.
No campo dos negócios, os grupos de mídia nada conseguirão, apenas piorar mais ainda o mercado 
publicitário.
O governo Dilma já mostrou que não retalia críticos com cortes de publicidade; mas também não cede 
a chantagens nem entra em negociatas.
Pode ser que pretendam, através do Congresso, barrar a entrada dos grandes competidores 
estrangeiros, aprovar leis que reduzam a obrigatoriedade de capital estrangeiro na mídia, conquistar 
outra anistia fiscal para suas dívidas.
Não conseguirão. De um lado, porque a Câmara não faz política econômica. De outro, porque 
acumularam tal quantidade de inimigos com o estilo metralhadora giratória que jamais conseguirão 
montar uma frente pró-mídia.
Frente anti-PT e anti-governo é simples de montar. Pró-mídia, ainda mais em uma fase de crise 
econômica, impossível.
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O que e conseguirá com o fator Eduardo Cunha será uma pitada a mais de desmoralização da mídia, 
mais insegurança econômica – revertendo em menos publicidade – e a confirmação de que jornais não 
foram feitos para pensar estrategicamente: eles sabem apenas “causar”.
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