Conhecido como "a caixa d'água do Brasil", o estado de Minas Gerais pode enfrentar um
cenário de escassez de água não tão drástico quanto o de São Paulo, mas também gravíssimo;
sistema que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Paraobepa, está secando e o
diagnóstico será apresentado nesta quinta-feira por Sinara Meirelles, a nova presidente da
Copasa, empresa de abastecimento mineira; situação mais crítica é a do reservatório Serra Azul,
que opera com 5% da capacidade; no início da gestão, governo de Fernando Pimentel lançará
plano de combate ao desperdício e redução de consumo, mas especialistas apontam que as
medidas já deveriam ter sido tomadas pelo antecessor Antonio Anastasia; calendário eleitoral,
que teve Aécio Neves como candidato a presidente, adiou medidas importantes de
conscientização e economia dos recursos hídricos
Minas 247 - Os paulistas, que se vêem as vésperas de um eventual racionamento de água, como
Minas 247 - Os paulistas, que se vêem as vésperas de um eventual racionamento de água, como
admite, nesta quinta-feira, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman (leia maisaqui), podem ter um
consolo: a crise hídrica também deve atingir os vizinhos mineiros.
A situação dramática do abastecimento de água em Minas Gerais será apresentada nesta quinta-feira
por Sinara Meirelles, que toma posse como presidente da Copasa, a empresa de abastecimento mineira.
Com dados que irão surpreender muitos brasileiros, uma vez que a Copasa não vinha divulgando os
níveis dos seus reservatórios, ela irá mostrar que a "caixa d'água do Brasil" (era esse o apelido de
Minas) também está secando.
A situação mais crítica é a do sistema Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de Belo
Horizonte, formado pelos reservatórios de Rio Manso, Vargem das Flores e Serra Azul. Este último,
por exemplo, opera com apenas 5% da sua capacidade.
Redução do consumo e calendário eleitoral
Redução do consumo e calendário eleitoral
Nesse contexto de crise hídrica, a Copasa deverá lançar um extenso pacote com estímulos à redução do
consumo e também uma frente de investimentos para combater os vazamentos e o desperdício.
No entanto, o governo de Fernando Pimentel também deve alertar a sociedade mineira para uma crise
que não é sua, mas sim herdada das gestões anteriores – nos últimos doze anos, o estado foi governado
pelos senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia.
Segundo especialistas, o pacote para cortar o consumo e alertar a sociedade já deveria ter sido adotado
no ano passado, mas acabou adiado em razão do calendário eleitoral, uma vez que Minas foi a
principal vitrine do candidato tucano Aécio na sucessão presidencial.
No ano passado, a Copasa, que não divulga os níveis de seus reservatórios, informava operar sempre
acima de 50% da capacidade em seus reservatórios. No entanto, o diagnóstico de Sinara irá apontar
que, pelo menos desde setembro do ano passado, o nível da água já era inferior a isso em praticamente
todos eles.
Na nova gestão da Copasa, o nível da água nos reservatórios será também divulgado diariamente,
como faz a Sabesp. Algumas cidades de Minas, como a histórica Ouro Preto, já passam por um
racionamento. Outras pretendem sair da esfera da Copasa, para criar suas próprias concessões de água.
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