Francisco está certo e eles errados
Por : Paulo Nogueira
Finalmente a mídia começou a criticar o Papa Francisco.
Demorou, visto que o papa representa o exato oposto daquilo pelo que se batem os donos das grandes
empresas jornalísticas.
Desde o primeiro momento de seu pontificato, Francisco tomou o partido dos pobres. Em quase todos
Desde o primeiro momento de seu pontificato, Francisco tomou o partido dos pobres. Em quase todos
os seus pronunciamentos, ele investe contra a desigualdade social.
Francisco captou magistralmente o Zeitgeist, o espírito do tempo. Com sua pregação vigorosa e ainda
Francisco captou magistralmente o Zeitgeist, o espírito do tempo. Com sua pregação vigorosa e ainda
assim bem humorada pela igualdade ele retirou o Vaticano das sombras da irrelevância em que
sucessivos papas inoperantes o atiraram.
O motivo encontrado pela mídia para atacá-lo foram suas declarações sobre os limites da liberdade de
expressão, no rastro do caso do jornal Charlie Hebdo.
Evidentemente, Francisco está certo e seus críticos errados.
A liberdade de expressão tem limites. Isso não significa aprovar o massacre dos cartunistas, como aliás
Evidentemente, Francisco está certo e seus críticos errados.
A liberdade de expressão tem limites. Isso não significa aprovar o massacre dos cartunistas, como aliás
fez questão de dizer Francisco.
Mas que há limites, isso é inegável.
Há cem anos, aproximadamente, o juiz americano Oliver Wendell Holmes, da Suprema Corte, colocou
Mas que há limites, isso é inegável.
Há cem anos, aproximadamente, o juiz americano Oliver Wendell Holmes, da Suprema Corte, colocou
isso brilhantemente.
Você não pode gritar fogo num auditório cheio e depois alegar liberdade de expressão, escreveu
Você não pode gritar fogo num auditório cheio e depois alegar liberdade de expressão, escreveu
Holmes. (Outra frase de Holmes que colide com nossos barões da sonegação: “Imposto é o preço que
pagamos por uma sociedade civilizada.”)
Hoje, na maior parte dos países ocidentais desenvolvidos, você pode ser enquadrado como defensor do
Hoje, na maior parte dos países ocidentais desenvolvidos, você pode ser enquadrado como defensor do
terrorismo caso diga ou escreva certas coisas.
Indo para o mundinho cotidiano das redações das companhias jornalísticas brasileiras, a liberdade de
Indo para o mundinho cotidiano das redações das companhias jornalísticas brasileiras, a liberdade de
expressão de cada jornalista significa a concordância com a essência das ideias dos donos.
É uma regra não escrita, e não admitida pelos colunistas, mas é perfeitamente entendida, respeitada,
É uma regra não escrita, e não admitida pelos colunistas, mas é perfeitamente entendida, respeitada,
acatada e seguida.
É o chamado colunismo patronal, ou chapa branca, ou pelego. Ironicamente, os colunistas patronais
É o chamado colunismo patronal, ou chapa branca, ou pelego. Ironicamente, os colunistas patronais
são aqueles que mais lançam acusações contra jornalistas independentes do mundo digital.
É como se estivessem olhando o espelho. Sua função é defender os interesses econômicos dos patrões
e amigos.
O papa já manifestou desprezo por este tipo de mídia. Ele sabe quanto ela contribuiu para a
desigualdade econômica, da qual tira um proveito indecente.
Francisco é uma voz poderosa contra tudo isso. Por isso é atacado. Quanto mais ele for atacado,
Francisco é uma voz poderosa contra tudo isso. Por isso é atacado. Quanto mais ele for atacado,
melhor ele estará fazendo o precioso trabalho de combater a iniquidade que envergonha o Brasil e, de
forma geral, a humanidade.
Que venham mais pancadas contra ele por parte dos colunistas patronais, portanto.
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