quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

As digitais de Serra nos malfeitos da Sabesp e na crise da falta de água em SP


Ele, o pior de todos

por : Kiko Nogueira

Há um personagem tentando sair de fininho, como a Pantera Cor de Rosa quando escapa na ponta dos 
pés, da mixórdia da Sabesp e da crise da falta de água em São Paulo.
Trata-se de José Serra.
Em 2009, quando ele era governador, um alerta foi disparado. O relatório final do Plano da Bacia 
Hidrográfica do Alto Tietê registrava que o Sistema Cantareira apresentava altas garantias de 
atendimento, mas tinha “déficits de grande magnitude”. Havia uma série de recomendações. Não 
saberemos se a Sabesp seguiu qualquer uma delas. Provavelmente, não.
Serra não foi chamado a responder por nada. Continua posando de gestor magnífico. Em novo artigo 
no Estadão, escreve que “memória informa e também é política”. Vale para os outros, não para ele.
Ele não é uma nota marginal no colapso da Sabesp. A ex-presidente Dilma Pena, por exemplo, aquela 
que falou que não avisava a população da gravidade da situação por “orientação superior”, foi 
indicação sua. Dilma foi sua secretária de Saneamento e Energia.
Depois que prefeitos do oeste da Grande São Paulo reclamaram do saneamento “caótico”, 
ele chegou a admitir que a companhia era “o problema número 1 da região”. O que fez?
Propaganda.
De acordo com um levantamento do Estadão, cinco estatais bateram recordes de despesas com 
publicidade em 2009. Sabesp, Metrô, CPTM, CDHU e Dersa gastaram 340,6 milhões de reais. A 
Sabesp foi a que mais gastou.
Foi aberta uma sindicância do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apurar irregularidades numa 
campanha veiculada nacionalmente. O valor total do contrato com duas agências de publicidade era de 
44 milhões. Na época, o TRE do Rio pediu às TVs Globo e Bandeirantes informações a respeito. A 
Globo levou, sozinha, 7,45 milhões naquele verão.
Gente do Brasil todo, cujos estados eram atendidos por outras empresas, ficaram cientes da 
competência da Sabesp — e, por extensão, do homem que concorreria à presidência no ano seguinte.
Para quem combate com fervor jihadista o “aparelhamento”, Serra também usou a estatal como cabide 
de empregos.
Antero Paes de Barros, ex-senador de Mato Grosso pelo PSDB, foi nomeado conselheiro. Barros 
despachava diretamente de Cuiabá. (Serra, aliás, já havia usado desse expediente para dar uma mão ao 
ex-deputado Roberto Freire, aliado de todas as horas, premiado com o cargo de conselheiro em outras 
estatais).
Na Folha, o presidente da Sabesp desde janeiro Jason Kelman atribuiu os problemas a fatores 
esotéricos. “São Pedro tem errado a pontaria, tem chovido, mas não onde deve chover”, escreveu. É 
uma insistência em subestimar a inteligência alheia. Como diz o senador José Serra, memória informa e 
também é política.
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