Apesar da proibição Constitucional, atualmente no Congresso Nacional existem 271 políticos
sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação. É o que aponta levantamento feito pelo
Fórum Nacional pela Democratização (FNDC).
O artigo 54 da Constituição Federal não poderia ser mais claro: é proibido a todo e qualquer ocupante
O artigo 54 da Constituição Federal não poderia ser mais claro: é proibido a todo e qualquer ocupante
de cargo eletivo ser diretor ou proprietário de canais de comunicação, como jornais impressos, rádios e
TV. E o Artigo 55 pune com a perda do mandato quem descumprir o artigo anterior. Mas, no
Congresso Nacional, existe uma bancada bem estabelecida do baronato da mídia nacional ou,
indiretamente, financiada por ela. Ao todo, 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de
comunicação.
Segundo o Secretário Executivo do FNDC, Pedro Rafael Vilela, até 2012, havia 260 concessionários
Segundo o Secretário Executivo do FNDC, Pedro Rafael Vilela, até 2012, havia 260 concessionários
de rádio e TV nas mãos de políticos em cargos eletivos.
Desde 2013 o FNDC trabalha para coletar 1,3 milhão de assinaturas para um projeto de lei de
Desde 2013 o FNDC trabalha para coletar 1,3 milhão de assinaturas para um projeto de lei de
iniciativa popular para impedir, de fato, a propriedade de veículos de comunicação a parlamentares.
A preocupação do FNDC é, também, o processo de democratização da produção e consumo do
conteúdo veiculado. “Das seis maiores redes de comunicação do País, cinco estão em São Paulo e uma
no Rio de janeiro”, explica Vilela. Segundo ele, o que está em jogo é a representação da pluralidade
cultural brasileira, que não se enxerga na produção da mídia hegemônica.
Titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, o deputado Emiliano José
Titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, o deputado Emiliano José
(PT-BA) garante que a comissão nunca tratou do assunto sobre parlamentares proprietários de veículos
de comunicação. Segundo ele, candidatos assim levam vantagem por poder controlar o conteúdo do
noticiário. “Isso é antidemocrático, empobrece o debate e exclui a sociedade do acesso ao direito à
comunicação”, diz o deputado. Para Emiliano, o caminho para se chegar à regulação da mídia passa
pela reforma política do sistema eleitoral.
Para um outro integrante da mesma Comissão, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), nem o cumprimento
Para um outro integrante da mesma Comissão, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), nem o cumprimento
do Artigo 54 e nem a regulação da mídia vão acontecer “porque isso deriva do fato de muitos
parlamentares serem donos de veículos de comunicação”.
Regulação da mídia no Congresso
Bittar acredita que o rompimento da limitação dos avanços rumo a uma regulação democrática da
Bittar acredita que o rompimento da limitação dos avanços rumo a uma regulação democrática da
mídia imposta por parlamentares proprietários de veículos de comunicação virá por meio de uma ação
coordenada entre o Executivo e a sociedade organizada. “Dilma deve promover um amplo e
aprofundado debate sobre importância para a democratização e para vedar, terminantemente, a
propriedade de veículos de comunicação por políticos”, afirma.
O deputado viveu as dificuldades de democratizar a comunicação no Brasil quando, em 2007, foi
relator da reforma da tevê por assinatura. Ele apresentou uma proposta para destinar 30% dos recursos
do Fundo Setorial do Audiovisual Brasileiro para produções independentes das regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste. “Isso paralisou a reforma e as discussões duraram até 2011, quanto a reforma
foi aprovada”, conta Bittar.
Ainda assim, a sociedade tem se organizado e avançado nas discussões. Entre os dias 13 e 24 de
outubro ocorreu a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, organizada pelo FNDC e
por mais de 300 entidades filiadas.
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