quinta-feira, 18 de setembro de 2014
“A CBF é uma vergonha”: por que Emerson Sheik mitou
por : Kiko Nogueira
Talvez a motivação tenha suas variantes, talvez ele devesse respirar — mas Emerson Sheik, do
Botafogo, fez o que todo torcedor tem feito o que seus colegas não têm coragem de fazer.
Sheik havia sido expulso depois de receber o segundo cartão amarelo. Fora do gramado, ficou em
frente a uma câmera de televisão e mandou bala: “CBF, você é uma vergonha! Vergonha! Vergonha!
Vergonha!”
Um desabafo rotundo, na cara do espectador, na cara da entidade que controla o esporte.
Não é a primeira vez, e não será a última, em que jogadores causam confusão. No caso de Sheik,
transcendeu os problemas com o juiz e foi com endereço certo. Como o goleiro Aranha, do Santos,
soube se utilizar da TV para registrar seu protesto.
Mitou.
Carlos Eugênio Lopes, o diretor jurídico da CBF, já avisou que ele será “julgado por injúria”.
Aproveitou para desqualificá-lo: “Vindo de quem vem, partindo de quem partiu, isso não deve ser nem
levado em consideração. Acho que a vida dele não é exemplar”.
Ora, o que a vida dele tem com isso? A vida de quem é exemplar? Do Marín? Dos membros do STJD?
O comentarista Caio Ribeiro saiu em defesa de seus patrocinadores. Indagado pelo narrador Cléber
Machado se concordava com a atitude de Sheik, saiu-se com o seguinte: “Não, principalmente no calor
da partida. Precisa ter respeito à hierarquia”.
É ingenuidade esperar de Caio qualquer ideia original ou crítica ao estado das coisas porque, afinal,
isso é criticar sua emissora indiretamente. Ele pode ser um comentarista anódino e um coxinha de
quatro costados, mas não é inteiramente bobo.
Agora, defender que o atacante precisava ter “respeito à hierarquia” significa o quê? Hierarquia onde?
Devia encaminhar um requerimento em três vias, assinado pelo departamento pessoal do Botafogo, e
aguardar uma audiência?
Recentemente, após uma vitória sobre o Ceará por 4 a 3, Sheik já havia pedido “vergonha na cara”
para a CBF. É encrenqueiro. Discute constantemente com os árbitros. Será punido. Não que faça
diferença. Já está no fim da carreira, tem dinheiro e vive como quer.
Disse o que precisava ser dito. E, ao contrário do que pensam os Caios, ninguém precisa de
autorização dos donos da bola para isso.
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