sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Padilha propõe monitorar ação policial para acabar com abusos


O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, propôs 
que a polícia do Estado tenha as atividades monitoradas. Atacando a política de segurança 
pública do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Padilha elencou uma série de propostas que 
divergem da linha tucana. O petista chegou a afirmam que Alckmin convive passivamente com 
existência do PCC e foi "leniente, durante 15 anos, com a corrupção no Metrô de São Paulo”. 
“Não vamos empurrar nada para debaixo do tapete”, disparou.

Cíntia Alves - Jornal GGN

Em sabatina promovida pelo Estadão na tarde desta quinta-feira (7), Padilha explicou que a ideia de monitorar as atividades policiais é um dos passos necessários para tentar reduzir a ocorrência de abusos de poder por parte da PM, principalmente. “Isso é importante tanto para o policial ter provas e se defender de qualquer situação [denúncia], e para a população também se armar contra abusos”, ponderou.
Na avaliação do petista, o governo estadual é permissivo com “racismo institucionalizado contra negros”. “Ainda acontecem muitos abusos e violência policial”, disse Padilha, lembrando que uma larga parcela de jovens negros ainda é brutalmente assassinada sem que as autoridades apurem e tratem de punir os responsáveis.
Fazendo um gancho sobre o assunto, o candidato também disse ser totalmente favorável à manutenção de cotas raciais em universidades públicas, e rechaçou a possibilidade de cobrar mensalidade nessas instituições. Além disso, defendeu o direito às manifestações, mas sem depredação de bens e violência.
Ainda sobre segurança pública, Padilha defendeu a criação de uma força integrada entre as policias Militar, Civil, Científica e até mesmo Federal e as Guardas Civis Municipais. Além de alinhar a formação de parte dos oficiais, a ideia é criar uma central única de policiamento, e fechar parceria, no caso de monitoramento em vídeo, com instituições privadas. Segundo Padilha, há milhares de câmeras instaladas em bancos, shoppings e outros espaços movimentados que podem servir de apoio ao poder público.
PCC e corrupção
Questionado sobre a ligação do deputado estadual Luiz Moura (PT) com o a facção criminosa PCC, Padilha afirmou que “o PT foi rápido e mostrou que, diferente do governo do Estado, vai ser implacável sempre e com qualquer pessoa que esteja relacionada a facções criminosas. Muito diferente de Alckmin, que convive com o PCC, deixou de combater a facção, permite que usem celular dentro dos presídios”, disparou Padilha.
Sobre o cartel dos trens paulistas (caso Alstom), Padilha também foi incisivo, e criticou a inércia dos governos do PSDB em São Paulo. O escândalo envolvendo fraude em licitação e pagamento de propina atravessa as gestões Mário Covas, José Serra e Alckmin, mas só ganhou os holofotes da mídia quando um empresário delatou o caso.
"Não vamos jogar corrupção para debaixo do tapete ou esconder as raposas. O caso só apareceu porque autoridades internacionais, a Policia Federal e o Cade iniciaram a apuração. Com nosso governo não terá corrupção no Metrô”, garantiu Padilha.
Ele prometeu aplicar o regime de concessões aos projetos envolvendo a expansão da malha metroviária paulista. “Quero fazer aqui o que o governo federal fez para acelerar as obras da Copa, ou seja, concessão. Mas no meu gabinete terá um centro permanente integrado com promotores para acompanhar as obras”.
Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, Padilha também afirmou que sua prioridade no governo será levar o Metrô para as regiões do ABC, Guarulhos, Taboão da Serra e Brasilândia. “Vamos fazer até 2018 o que Alckmin prometeu para 2020 e agora empurra para 2030”, prometeu.
Transporte
Ainda sobre mobilidade, o petista afirmou que fará reajustes tarifários no transporte público com “responsabilidade”, mirando a oscilação da inflação. Prometeu, também, criar o Bilhete Único Metropolitano e reduzir em 25% o custo de quem usa linhas do Metrô, CPTM e EMTU. Ele defendeu, inclusive, a redução do ICMS para combustível, com vistas a cortar os gastos da operação do sistema e impactar ainda mais na redução da tarifa.
Tráfico de drogas
Confrontado sobre a política de enfrentamento ao tráfico de drogas pelo Planalto, Padilha disse que se tornou hábito de Alckmin jogar nas costas do governo Dilma Rousseff e da Polícia Federal a culpa pela circulação de entorpecentes em São Paulo. “Diferente do tucano”, o petista promete investir na fiscalização das fronteiras do Estado, e aceitar as parcerias oferecidas pelo Ministério da Justiça para garantir mais policiamento.
Ainda sobre drogas, o ex-ministro afirmou que Alckmin não fez parcerias com o Ministério da Saúde afim de criar políticas para dependentes químicos, e que deveria seguir passos similares aos do prefeito Fernando Haddad (PT) e implantado o Braços Abertos.
Maioridade penal
Padilha afirmou categoricamente ser contrário à redução da maioridade penal e revisões no Estatuto da Criança e Adolescentes para que ampliem o tempo de internação de menores infratores. A proposta é bandeira do PSDB nesta eleição. “O atestado de falência do Estado é justamente, em ano eleitoral, querer tirar o foco do debate sobre políticas de segurança pública para defender mudanças na Constituição afim de alterar a maioridade penal", avaliou.
Saúde e água
Ao final da sabatina, Padilha defendeu o Mais Médicos e disse que depois da importação de profissionais para atender a rede básica de saúde, será necessário criar, em São Paulo, um programa voltado para atrair médicos para suprir a demanda por especializações.
Na questão da água, Padilha disse que Alckmin é quem faz uso eleitoral da crise de abastecimento ao evitar decretar racionamento de olho nas urnas. “É volume morto e racionamento vivo [embora o governador não admita]”, comentou. O petista prometeu fazer em quatro anos todas as obras que a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado) não fez na última década.
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