terça-feira, 19 de agosto de 2014

Os Estados Unidos caminham para ser o modelo de ditadura do século XXI



Blog do Zé

A crescente militarização da política externa norte-americana não podia ficar sem sua correspondente
interna que está sendo a militarização das polícias estaduais e o aumento da repressão às manifestações
políticas e sociais como estamos assistindo agora em Ferguson – subúrbio de Saint Louis, no Estado do
Missouri – e em todo país.
Os Estados Unidos caminham, assim, para ser o modelo de ditadura do século XXI. Maior expressão
dessa caminhada ainda sem volta deles é a espionagem generalizada de todos cidadãos pelos órgãos de
segurança do Estado revelados pelo técnico que prestava serviços terceirizados a NSA uma das
agências de segurança e espionagem americana, Edward Snowden, agora exilado em Moscou.
Outra característica dessa nova forma de ditadura de Tio Sam – e em Tio Sam… - é que ela se impõe
em nível mundial como também revelaram os documentos que comprovam que a NSA espionava e
espiona todos países e todos os cidadãos do mundo. Como vocês acompanharam, no Brasil inclusive,
quando espionaram a presidenta Dilma Rousseff, alguns de seus principais assessores e a Petrobras em
suas atividades comerciais.
Militarização das polícias é marchar na contramão do mundo
É assim que, em termos de segurança pública interna, os EUA estão marchando na contramão do
mundo e militarizando ao máximo suas polícias. Lá isso está em pleno andamento, paulatinamente,
mas de forma contínua, via “Programa 1033”, nome dado à distribuição de equipamento ocioso das
Forças Armadas às delegacias de polícia.
Pelo “Programa 1033”, desde que os EUA começaram a retirar o grosso de sua presença e tropas
militares do Iraque e do Afeganistão, o arsenal não utilizado foi sendo repassado aos departamentos de
polícia locais. É assim que hoje, 22 dos 50 Estados do país já receberam equipamento para detectar
minas terrestres, fuzis M-16, rifles 5,56 de cano curto (capazes de atingir um alvo a 500 metros) e 38
Estados ganharam silenciadores, veículos blindados de grande porte, tanques anfíbios, drones e
baionetas. Isso para polícias estaduais!
Tudo vindo das forças Armadas! E para policiais estaduais! Foi com o uso de um desses equipamentos
que a polícia de Ferguson, bairro de Saint Louis, uma das cidades mais segregadas do país, matou um
jovem negro de 18 anos, Michael Brown, abordado e morto a tiros – alvejado várias vezes – por um
policial branco.
País vive mais um ciclo de violentos conflitos raciais
Foi o episódio que detonou, desde a semana passada, de novo, um daqueles periódicos conflitos raciais
que emergem nos EUA, desde antes de Rosa Parks, em 1955 (a costureira do Alabama que se recusou
a levantar do banco de ônibus para que um branco o ocupasse) ao pastor Martin Luther King
(assassinado em 1968) e a tantos outros ciclos de protestos posteriores contra a segregação e a
discriminação raciais.
Ferguson, onde policiais usando máscaras, portando uniforme de combate e circulando em blindados
do Exército confundem os moradores que não entendem se estão tratando com a polícia ou com as
forças Armadas, viveu hoje um novo dia de manifestações, protestos e saques.
Estado de emergência foi decretado em todo o Estado do Missouri, com toque de recolher (às 22 e às 5
da manhã) desde a semana passada, sem previsão de quando termina o pesadelo e sob o temor dos
norte-americanos de que o conflito racial se espalhe pelos outros Estados. A Guarda nacional fio
convocada hoje para ajudar na manutenção da ordem.
O emprego de bombas de gás lacrimogênio, porretes e balas de borracha contra manifestantes e
jornalistas irritou o presidente Barack Obama. Mas a militarização ostensiva da polícia americana já é
um fato e ele nada pode fazer a não ser mandar o FBI (Polícia Federal deles) investigar o assassinato
de Michael Brown.
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