sexta-feira, 16 de maio de 2014

E Alckmin inaugurou o volume morto da Cantareira


O início do uso do volume morto da Cantareira, comemorado como se fosse um feito, entra para 
a história de São Paulo.

Luis Nassif


Admito que a política é um palco iluminado para o ridículo.
Mas o governador Geraldo Alckmin se superou. O anúncio da grande solenidade para comemorar o início do uso do volume morto da Cantareira é um dos episódios mais ridículos da história do Estado.
Os constitucionalistas de 32 devem revirar no túmulo. Não tenho notícia de episódio mais depreciativo da inteligência do paulistano que esse evento macabro.
Nesse universo de inaugurações vazias, no entanto, o campeonato do ridículo foi batido, ontem, pelo governador paulista Geraldo Alckmin.
Seca recorde e falta de planejamento obrigaram a Sabesp (a companhia de saneamento do estado) a recorrer ao volume morto de água do sistema Cantareira. Recorre-se a ele apenas em situação de emergência.
Em vez de tratar a questão com a gravidade que o assunto exigia, inclusive com manifestações de autocrítica e pedidos de desculpa à população, Alckmin programou uma grande festa comemorativa do primeiro jorro do volume morto nos encanamentos da Sabesp..
Foram distribuídos convites para convidados VIP, convidando "para o início do bombeamento da reserva estratégica de água para o sistema Cantareira".
Os telejornais deram espaço nobre às palavras de Alckmin, à sua postura grave, mostrando como, graças à eficiência do governo do estado, o paulistano terá mais 6 meses rezando para as chuvas venham. Se não vierem, nem todos os caminhões pipa do país darão conta da tragédia.
Melhor do que esse episódio foi apenas José Serra, na campanha de 2010, inaugurando uma maquete que ligaria Santos a Guarujá. A obra jamais saiu do papel. Mas a maquete está impávida nos arquivos dos telejornais, para quem duvidar.

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