sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dilma para jornalistas esportivos: 'Esta é a hora de mudar as estruturas do futebol brasileiro'



Dilma recebeu para jantar 10 jornalistas esportivos (Galvão não), na quinta-feira (15). Eis o relato de Paulo Vinícius Coelho, da ESPN, que esteve presente:
Esta é a hora de o governo ajudar a mudar o futebol brasileiro. Quem diz isso é a presidenta Dilma
Durou quatro horas o encontro entre a presidenta Dilma Roussef e um grupo de jornalistas esportivos. Assim como fez antes com setores da mídia, como os blogueiros, a presidenta convocou para um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília, dez profissionais: Juca Kfouri, Paulo Calçade, Renato Maurício Prado, Mauro Beting, Milton Leite, Tino Marcos, Paulo Sant'Anna, Téo José, Renata Fan e eu.
Também estavam presentes os ministros Aldo Rebelo, dos Esportes, Paulo Bernardo, das Comunicações, e Thomas Traumann, da Secretaria da Comunicação Social. Foi Traumann quem informou na chegada a razão do encontro: "Ela quer ouvi-los."
Não foi só isso. A presidenta também falou sobre a expectativa da Copa do Mundo e de ter o evento como momento de afirmação do país. Da possibilidade de novos protestos, para os quais, segundo ela, a polícia estará preparada não para reprimir, mas para policiar. E de coisas que, na sua visão, estão acontecendo. "Tudo o que se fizer no Brasil ainda é pouco! O país está muito acima da expectativa que tínhamos para ele dez anos atrás. A Copa do Mundo vai ser muito boa", disse durante o jantar.
Nas entrelinhas, sua expectativa parece vir da percepção de que nem tudo deu certo em outros lugares e muitas vezes a exigência brasileira sobre o Brasil é maior do que a de outros países sobre eles mesmos. Percepção que teve durante a estadia nas Olimpíadas de Londres, onde, para ela, houve problemas sérios.
Ponderei que vivi outros problemas em coberturas de Copas do Mundo nos Estados Unidos, França e África do Sul, mas com a percepção de que é preciso entender o que está dando certo aqui, em vez do que deu errado em outros lugares.
Entre as coisas que dão certo, Dilma fala sobre as obras que estão em andamento e que atenderão ao país nos próximos anos, embora não durante a Copa do Mundo. "A Transcarioca é para a população do Rio de Janeiro, não para a Copa do Mundo", exemplificou.
Tudo o que está escrito acima desta linha é o que a presidenta queria falar.
Tão importante quanto isso talvez tenha sido o que que ela permitiu ouvir. A radiografia do futebol brasileiro, tão perto de se tornar relevante no cenário dos clubes em âmbito mundial e tão longe ao mesmo tempo, pela dificuldade de colocar as pessoas certas nos lugares certos, retirar a corrupção e o coronelismo de campo.
De fazer o futebol ser tratado como indústria, capaz de gerar empregos e pagar impostos, como um setor da economia.
No final da noite, Dilma disse a frase mais importante do jantar: "Esta é a hora!"
Referiu-se à Copa do Mundo permitir que o governo comece a tentar alavancar as mudanças. Ela disse que vai receber e ouvir o Bom Senso F. C.. E trabalhar. Tentar fazer o legado da Copa ser a transformação do futebol brasileiro.
Deu esperança.
Também importante -- e emocionante -- foi quando Dilma respondeu à pergunta de Juca Kfouri sobre sentar-se ao lado de José Maria Marin, o presidente da CBF e do COL, na abertura da Copa. Lembrou de ser torturada e do vilão, o delegado Sérgio Paranhos Fleury, elogiado em discurso de Marin em 1975. Afirmou ter precisado sentar-se com muito mais gente desse tipo, que apoiou a ditadura e foi cúmplice da tortura. Explicou por que não a incomoda tanto a obrigação de conviver com esse tipo de gente:
"Nós ganhamos! Eu posso contar a todos os meus familiares o que fiz e eles não podem. A verdade é que nós ganhamos!"
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