sábado, 19 de outubro de 2013

Acordo nos EUA pode ser apenas um respiro para o mundo


por  Juliana Damasceno

Jornal GGN - Um susto generalizado. Até o governo chinês se declarou preocupado. O mundo inteiro com os olhos voltados para Washington, temendo por suas reservas em forma de títulos do tesouro norte-americano. Não era de se estranhar o temor dos mercados após 16 dias de paralisação do governo e até suspeitas de um acordo que não seria fechado.
Por 285 votos a 144 no congresso, foram aprovadas as seguintes medidas para evitar uma crise fiscal imediata, de acordo com o jornal inglês Financial Times: volta dos funcionários aos seus postos de trabalho e remuneração pelo desligamento forçado até 16 de janeiro; uma nova revisão do teto da dívida em até 7 de fevereiro de 2014; negociações bipartidárias para reduzir o déficit orçamentário. Cortes automáticos e Obamacare não entraram em discussão no fechamento do acordo.
Respirando mais aliviado, o mercado também se acalmou na última sexta-feira (18). O índice Standard & Poor's 500 fechou na máxima histórica, com investidores retomando a confiança no mercado após o afastamento da sombra do default nos Estados Unidos. Eles temiam que a paralisação estendida pudesse pesar sobre o crescimento econômico e sobre resultados corporativos.
Contudo, o economista Pedro Galdi, da SLW Corretora, diz que o clima de tensão continua e não devemos ficar animados com o que chamou de “solução temporária”. O que os republicanos fizeram foi levar a disputa aos 46 minutos do segundo tempo. Obama não aceitou nenhuma mudança. Perdeu o país, o partido ficou com a imagem arranhada, mas certamente vão bater o pé de novo no começo de janeiro”, alertou.
Para Galdi, o que o acordo entre republicanos e democratas fez foi, exclusivamente, “empurrarem a solução com a barriga” por três meses. Existe um prazo para essa negociação definitiva e o temor é que as partes não se entendem. “Vamos ver toda essa turbulência novamente em janeiro. Fazendo uma conta rápida: estima-se que 16 dias de orçamento custarão 0,20% do PIB dos Estados Unidos no quarto semestre, por exemplo”.
Também existem rumores de que o Federal Reserve, por conta dos números macroeconômicos piores e ainda não divulgados por conta da paralisação, também esquecerá temporariamente os planos de diminuir seu programa de estímulos, com medo de uma crise ainda maior. “O Fed até queria reduzir o programa, mas a economia também foi afetada com essa paralisação. É pouco provável que consigam fazer isso antes de 2014”, prevê o especialista.
O dólar, segundo as estimativas, deve apresentar uma cotação média entre R$ 2,15 e 2,20, apresentando uma leve queda. Mas apesar disso, deverá ser um tempo de calmaria no mercado mundial, com a Europa começando a respirar, e a China apresentando bons números, no contexto geral.
“Os EUA foram quem mais perderam, declarou Obama. E ele tem razão. No entanto, a economia global sempre tem prejuízos em casos como esses, com as incertezas, volatilidade, especulações. Se um papel do tesouro americano perde valor, seria um desastre mundial”, complementa Galdi. A possibilidade do quadro se repetir em janeiro, com a intransigência dos republicanos, não está descartada. Aproveitemos o respiro da temporada.
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