terça-feira, 23 de julho de 2013

As ideias por trás do grupo Black Bloc


Black Blocs: as ideias por detrás das máscaras

José Roberto Medeiros

Um dos fenômenos mais discutidos sobre as mobilizações de junho é o aparecimento do grupo Black Bloc.
Vestido de preto, usando máscaras ou panos para esconder o rosto, o grupo tomou a linha de frente das manifestações e tem sido relacionado por segmentos da imprensa como vândalos, baderneiros e responsáveis pelos confrontos com a Polícia Militar. De acordo com a mídia, as máscaras seriam para esconder o rosto para a prática da desordem, mas será que é isso mesmo?
Tradicionalmente a imprensa tende a criminalizar os movimentos que contestam o sistema, foi assim com os movimentos anarquistas do começo do século XX, foi assim com os comunistas na Era Vargas e durante a Ditadura Militar. Porque pensar que agora seria diferente? Entramos em contato com alguns membros do grupo conhecido como Black Blocs e tentamos compreender um pouco mais desse novo elemento que passa a fazer parte do cenário político fluminense.
As roupas pretas não são apenas para dificultar a identificação, como tenta induzir a televisão, ela tem o simbolismo de união, solidariedade e comprometimento com a causa. Black Blocs existem em várias partes do mundo. Sua atuação no Egito e na Grécia tem chamado atenção e, sua manifestação no Brasil deixou muitos confusos. A ideologia que seguem é o anarquismo.
Se organizam de forma horizontal, não apontam líderes. A faixa etária predominante varia entre os 18 e 26 anos, caracterizando como um grupo essencialmente jovem. A maioria são homens, mas mulheres também se fazem presentes. O grupo iniciou sua atuação no Rio de Janeiro durante as primeiras passeatas de Junho e, de lá para cá, segundo seus membros, só tem crescido :
- O grupo já existia no Brasil há algum tempo. Nós, entretanto, começamos nossa atuação no Rio de Janeiro nas primeiras passeatas. Num primeiro momento, éramos bem poucos, pois ninguém nos conhecia, agora nossa realidade é outra – Diz um membro do grupo.
Eles se reivindicam como anarquistas e se referenciam na primeira aparição dos Black Blocs em Seatle (1970), não se envolvem com partidos, mas também não os tomam como seus inimigos principais. Suas bandeiras envolvem fim de opressões, autoritarismo e deixam claro que seus inimigos não são os partidos políticos, como se ventila por aí, mas sim todas organizações que promovem a opressão do homem pelo homem:
- Nós somos contra qualquer autoritarismo. Temos como inimigos aqueles que se colocam acima dos outros, não aceitamos que ninguém tenha poder sobre ninguém. Acreditamos na solidariedade, liberdade e justiça. Queremos a democracia direta, com organização e sem autoridade. Nossos inimigos são os que humilham, os que não respeitam o próximo, os que tiram a igualdade e impõem sobre a população o que acham certo. Nós lutamos contra tudo o que reprime, tudo o que nos aprisiona. Reivindicamos o direito da sociedade e damos voz e apoio ao povo. – diz um membro dos Black Blocs.
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