sábado, 21 de maio de 2011

Por que contei a verdade do caso Francenildo

Em frente à casa em que morou Orwell, em Portobello Road, Londres: pela "common decency"

Por Paulo Nogueira 

Estou feliz com a repercussão do texto em que revelei que foi Palocci quem passou à revista Época o dossiê que supostamente incriminaria o caseiro Francenildo. Francenildo acusara Palocci, então ministro da Fazenda, de frequentar uma casa suspeita de Brasília.
Vejo que os cliques se acumulam celeremente. Propagação grande no twitter e no facebook.
Por que decidi falar?
Porque me bateu um sentimento de indignação depois de ler a tese defendida por George Orwell sobre a “decência básica” – “common decency”.
Palocci ofereceu as informações, como disse, à cúpula das Organizações Globo, no Rio de Janeiro. Não sei por quê, provavelmente por razões estratégicas – combater a Veja no campo dos furos — , a Época foi escolhida pela família Marinho para veicular o material oferecido por Palocci.
Um homem com os cargos de Palocci não pode infrigir a decência de uma forma tão continuada e despudorada. Como no caso do dossiê que montou na sombra, seu enriquecimento súbito – quaisquer que sejam as explicações e alegações – é simplesmente obsceno.
Curiosa a reação de algumas pessoas. Um leitor, Lalo, dirige um interrogatório a mim. Pergunta se eu sei mesmo se foi Palocci. Ora, eu era diretor editorial, e participei diretamente do bastidor do dossiê. Em vez de se indignar contra Palocci e sua monstruosa perseguição ao caseiro, Lalo se indigna contra mim. Esse tipo de atitude apenas contribui para a lassidão moral dos homens do poder no Brasil.
Não sei se é verdade, mas leio na Folha que o governo planeja “blindar” Palocci.
Um momento.
Blindar Palocci?
Há nisso uma inversão tenebrosa.  Blindados deveriam ser os brasileiros contra servidores públicos do calibre moral de Palocci,
Dilma tem uma grande oportunidade em, demitindo exemplarmente Palocci, demonstrar que seu padrão ético é elevado e que também ela está interessada em promover a “common decency” de Orwell no Brasil.
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