No Blog da Cidadania
O francês Dominique Strauss-Kahn (62) é diretor-gerente do FMI. Além disso, é – ou era – o pré-candidato do Partido Socialista nas próximas eleições presidenciais em seu país. E está – ou estava – à frente em todas as pesquisas de opinião.
Em 14 de maio, foi detido no aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque, pouco antes de embarcar para Paris. A acusação: abuso sexual contra a camareira do hotel em que estava hospedado naquela cidade, e que teria ocorrido horas antes.
Estupro é um crime que as sociedades começam a tratar com seriedade porque, por muito tempo, mulheres de toda parte suportaram caladas a essa agressão inominável devido a que sempre foi difícil provar a culpa dos agressores.
Segundo relatos, a camareira do hotel entrou na suíte de Strauss-kahn, ele saiu nu do banheiro e tentou estuprá-la. O testemunho dessa mulher, em um mundo em que se pratica o estupro impunemente, deve ser levado muito a sério.
Todavia, há facetas desse caso que chamam atenção.
O candidato a presidente do PS francês, que também ostenta grandes chances de se eleger e que é diretor de uma instituição do porte do Fundo Monetário Internacional, cometeria um crime tão grosseiro, sem se importar com nada?
Dirão que poderia estar drogado ou bêbado. Mas será que um homem que chegou aonde chegou Strauss-Kahn cometeria erro tão absurdo? Quantos candidatos a presidente de uma superpotência, e com tantas chances de vitória, já fizeram coisa parecida?
A mulher do acusado também saiu veementemente em sua defesa. Suas declarações parecem convictas de que a acusação que sofreu não tem o menor fundamento. Seria ela capaz de fazer defesa incondicional do marido só por medo do constrangimento?
É verdade que surgiram relatos de que Strauss-kahn sofreu acusação anterior de conduta reprovável com uma colega de trabalho, mas foi absolvido. E, além disso, não se pode esquecer de que é um político e políticos costumam ser alvo de armações.
Se armação houver, será possível identificá-la investigando a vítima da suposta tentativa de estupro. E se estava drogado ou alcoolizado, será igualmente fácil saber e certamente, a esta altura, já passou por exames toxicológicos.
Haverá que provar que houve violência contra a vítima e que não se tratou de extorsão ou armação política contra um homem proeminente. Mas, mesmo se for considerado inocente, as eleições já terão passado e o concorrente de Sarkosy terá sido anulado.
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