Por Rodrigo Vianna
O Partido Verde ninguém tem dúvidas: deve dar apoio formal a Serra. Vai fazer uma encenação qualquer, exigir compromisso ambiental aqui e ali. Mas vai fechar com o Serra.
A Marina Silva parece ter ficado chateada com a volúpia do partido em repartir cargos com Serra. O PV ficaria com 4 ministérios!
Marina é maior que o PV, todos sabemos. É preciso respeitar a trajetória dela, apesar de a muitos ter parecido estranho a forma como ela deixou-se beneficiar por uma campanha obscurantista envolvendo religião. Mas isso não retira os méritos de Marina.
Bem, ela e alguns apoiadores criaram o “Movimento Marina Silva” – bem antes da eleição. Hoje, fiz uma incursão pelo site do movimento, até para entender como pensam esses apoiadores dela que não são filiados ao PV. Eles são Marina, e ponto. Não são PV. Chamou-me atenção uma enquete promovida pela seção paulista do movimento. A pergunta era: quem Marina deve apoiar no segundo turno. Até o meio da tarde, mais de 18 mil pessoas já haviam respondido (o movimento, no Brasil inteiro, tem 40 mil pessoas cadastradas).
Pois bem, a turma da Marina, em São Paulo, quer Serra! Na proporção de 2 para 1:
- pouco mais de 12 mil pedem apoio a Serra;
- pouco menos de 6 mil querem Dilma;
- e cerca de 500 defendem neutralidade.
A enquete está aqui.
Tenho dito a amigos que, em São Paulo especialmente, o voto de Marina é – majoritariamente – conservador e anti-petista. E a prova está aí.
Pelo Brasil afora, as posições mudam um pouco. No Rio e em Brasília, talvez haja mais equilíbrio entre os marinistas (com leve tendência pró-Serra). No Nordeste e Norte, deve-se inverter a tendência - com mais gente propensa a votar Dilma. Mas como o voto em Marina foi fortemente concentrado no centro-sul, sabemos que a equação pende para o tucano.
É por isso que muita gente faz a seguinte conta: dos quase 20 mihões de votos obtidos por ela – seja qual for a posição de Marina (e deve ser pela neutralidade) – mais da metade devem ir pra Serra:
- cerca de 10 milhões de votos para Serra;
- cerca de 6 milhões de voto para Dilma;
- e cerca de 2 milhões de votos brnacos ou nulos.
Por essa conta, o voto de Marina não fecha a conta em favor de Serra num segundo turno.
Serra, que teve 33 milhões de votos no primeiro turno, com mais 10 milhões dos verdes chegaria a 43 milhões de votos agora.
Dilma, que teve 47 milhões de votos no primeir turno, com mais 6 milhões de Marina e 1 milh]ao da esquerda, chegaria a 54 milhões de votos.
É por isso que, numa conta grossa, com pouco mais de 100 milhões de votos válidos, o segundo turno começa com algo como:
Dilma – 55% dos votos válidos;
Serra – 45% dos votos válidos.
O que pode mudar essa equação? Serra arancar votos da Dilma.
Por isso,a pancadaria vai continuar.
Como eu já disse em outro texto: Serra precisa bater, mas se bater muito pode perder parte desse eleitor verde. No caso do aborto, por exemplo, Serra parece ter avançado um pouco o sinal. Serra recebeu o carimbo de fanático de direita. Carimbo merecido, diga-se.
Mas ele conta com uma ajuda: a mídia. Serra terceiriza a pancadaria.
Será assim até o fim da eleição. Quem queria segundo turno para “aprofundar o debate” vai ter é que tomar um remédio para enjôo. Porque a baixaria mal começou.
Dilma e os marqueteiros, pelo visto, vão se segurar nessa conta. Vão apanhar sem revidar, respondendo só de leve.
Acho um erro. Mas quem sou pra achar alguma coisa.
_____________________
Nenhum comentário:
Postar um comentário