sábado, 31 de janeiro de 2015

Enquanto a Petrobras é massacrada, a Sabesp é convenientemente esquecida


Tudo sob controle

por : Paulo Nogueira

Um amigo meu pergunta no Facebook: “O que a Dilma quer? Convencer todo mundo de que a Petrobras tem que ser privatizada?”
Entrei na conversa.
“Acho que a pergunta certa é: o que a mídia quer com esse bombardeio? Compare com a Sabesp, que está prestes a deixar os paulistanos sem água para dar descarga e ninguém fala nada.”
A Petrobras, para os conservadores, deixou de ser uma empresa petrolífera. Ela se transformou no caminho mais curto para ataques a Dilma e ao PT.
É para isso que a Petrobras serve, hoje: é um instrumento para desestabilizar o governo petista.
Os fatos são minuciosamente escolhidos e manipulados.
Companhias gigantes com ações nas bolsas oscilam extraordinariamente de valor, em certas circunstâncias.
O petróleo enfrenta uma situação particularmente complicada: há um excesso de oferta.
Os preços desabaram.
Os países produtores, agrupados na OPEP, decidiram, até aqui, não responder ao problema com o mecanismo clássico de redução da oferta.
Dentro desse horizonte, todas as empresas do ramo sofrem.
Seu produto vale menos, e consequentemente suas ações também.
Este é o drama real da Petrobras – e de todas as empresas que produzem petróleo.
Todas elas valem menos agora do que valiem antes da recente crise petrolífera. São oscilações de bilhões de dólares.
Normalizada a situação, com o petróleo voltando aos patamares habituais, o valor das empresas oscilará positivamente em vários bilhões de dólares.
Por isso, não adianta você pegar um quadro atípico para tirar conclusões.
Mas é o que a mídia faz, não com o intuito de “salvar a Petrobras”, mas para afundar o PT.
Por mais doída e constrangedora que seja, a questão da corrupção responde apenas por uma parte mínima da perda de valor das ações da Petrobras.
Quando o mercado se normalizar, a Petrobras voltará a valer o que valia antes, bem como todas as corporações do ramo.
A diferença é que o processo de valorização não será notícia.
A Petrobras é sólida o bastante para enfrentar intempéries.
O barulho incessante em torno dela contrasta com o silêncio obsequioso em relação à Sabesp.
O cidadão não é diretamente afetado pela alta ou baixa do petróleo. Mas quando uma empresa que deveria fornecer água entra em colapso, aí sim você tem uma situação de calamidade.
É a escola que pode parar de funcionar. É o banho que pode deixar de ser tomado. É a empresa que pode carecer de água para funcionar.
O drama vinha vindo, sabe-se hoje. No entanto, não foram tomadas providências que reduziriam as ameaças que pairam agora sobre os paulistas.
O motivo da inação criminosa chama-se eleição.
Alckmin não queria correr o risco de perder votos caso houvesse algum tipo de corte na água da população.
Depois, a conta viria, como veio. Mas aí as eleições já teriam passado.
Em nenhum momento a imprensa, ao longo da campanha, cobrou de Alckmin atitudes de interesse público.
A explicação benevolente para isso é que a mídia não tinha noção da gravidade das coisas.
Aí seria um caso de inépcia monumental.
A explicação mais provável é que a imprensa não estava interessada em aprofundar um assunto que poderia custar o cargo do amigo Alckmin.
E assim chegamos ao que estamos vendo agora.
Todos os holofotes se concentram na Petrobras, para a qual tudo se normalizará assim que os preços do petróleo no mercado mundial se restabelecerem.
Enquanto isso, a Sabesp de Alckmin é uma nota de rodapé – ainda que possa faltar aos paulistas água para dar descarga.
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Haddad estatiza garagens para atrair empresas de ônibus


Por que o MPL não reconhece que o Haddad é melhor que os tucanos ?

 HADDAD VAI ESTATIZAR AS GARAGENS DE VIAÇÕES PARA AMPLIAR 

A Prefeitura de São Paulo vai desapropriar todas as garagens de ônibus das empresas que exploram o 
transporte público municipal.
Os decretos que declaram essas propriedades áreas de utilidade pública foram encaminhados ao 
gabinete do prefeito Fernando Haddad (PT) e são o passo inicial do rito de estatização que tem prazo 
de cinco anos para ser consumado, com o pagamento do valor correspondente.
A medida antecipa o início do processo de licitação que deverá fazer uma reorganização radical no 
sistema de ônibus, com mudanças no serviço ao usuário e também no modelo de administração.
(…)
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O QUE BERZOINI PODE FAZER DESDE JÁ NAS COMUNICAÇÕES


O Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações (FNDC) apresentou essa semana ao 
ministro Ricardo Berzoini uma "agenda de curto prazo para o Ministério das Comunicações", 
que pode ser colocada em prática "desde já", de acordo com o grupo, baseada nas leis atuais, se 
houver "vontade política"; executiva do Fórum, que reúne os principais movimentos e 
organizações defensores da liberdade de expressão e do direito à comunicação no País, foi 
recebida pelo ministro em Brasília; "O marco normativo atualmente em vigor no Brasil já 
garante os elementos necessários para que tais desafios sejam finalmente enfrentados por essa 
gestão do governo federal. É só querer", defende o FNDC.

247 – Diante do tempo que levará e dos obstáculos que encontrarão a construção e aprovação de um novo marco regulatório no Brasil, integrantes do Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações (FNDC) apresentaram ao ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, uma "agenda de curto prazo" para a pasta, que, segundo o grupo, pode ser colocada em prática "desde já", baseada nas leias atuais. Basta ter "vontade política", defendem.
"O marco normativo atualmente em vigor no Brasil já garante os elementos necessários para que tais desafios sejam finalmente enfrentados por essa gestão governo federal. É só querer", afirma o FNDC, que reúne os principais movimentos e organizações que defendem a liberdade de expressão e o direito à comunicação no País e foi recebido pelo ministro na última quarta-feira, em Brasília.
Algumas das medidas sugeridas pelo Fórum foram:
O controle de emissoras por políticos, o combate e fiscalização sobre o arrendamento e subconcessões de canais de radiodifusão, garantia do respeito aos limites da concentração de propriedade já existentes, responsabilização das emissoras por violações de direitos humanos na programação, procedimentos mais democráticos na concessão e renovação de outorgas, envolvimento da pasta na garantia da classificação indicativa e fortalecimento do sistema público (financiamento e universalização) e uma política de fortalecimento e descriminalização das rádios comunitárias, entre outros.
Sobre a reunião, a coordenadora-geral do Fórum, Rosane Bertotti, afirmou que o ministério precisa retomar o diálogo, há muito interrompido por aquela pasta, com o FNDC e outras entidades. "Temos acúmulo e muita disposição para fazer o debate e estamos aqui para solicitar o estabelecimento de um diálogo permanente", afirmou. Ela entregou ao ministro o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática, como subsídio para avançar na elaboração de uma proposta pelo governo
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As maracutaias da Globo em Cayman


O “endereço” da “Empire” nas Ilhas Virgens: empresa “era só no papel”, diz advogado


por : Joaquim de Carvalho

Em uma nova reportagem da série sobre a compra dos direitos da Copa do Mundo de 2002 pela Globo, o jornalista Joaquim de Carvalho foi às Ilhas Virgens contar in loco como funcionava a empresa de fachada. Joaquim esteve no paraíso fiscal e visitou a suposta sede. As demais matérias podem ser encontradas aqui.
O dia amanhece com galos cantando em pleno centro de Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, onde, em 2001, a Rede Globo comprou uma empresa por cerca de 220 milhões de dólares. O que poderia haver de tão valioso no Caribe para que a Rede Globo fizesse um investimento deste porte?
O esconderijo para um tesouro é a resposta mais apropriada. Exatamente como no tempo dos piratas, que por sinal fizeram história por aqui, como o lendário Barba Negra. E para piratas no passado, assim como para sonegadores de impostos, corruptos, traficantes de drogas e de armas no presente, o melhor lugar do mundo é onde se pode guardar a riqueza ilícita longe dos olhos das autoridades. Um paraíso. Isso é Ilhas Virgens.
Quem conhece bem os meandros deste paraíso fiscal é o advogado brasileiro Marcelo Ruiz, que desde 2011 trabalha para um escritório de recuperação de ativos instalado no centro financeiro de Road Town. Seu trabalho é descobrir quem está por trás das empresas abertas no país, que integra a Coroa Britânica, e repassar os dados para os escritórios das nações onde correm processos — Cayman, Suíça ou Brasil, por exemplo.
Ele, evidentemente, não trabalha sozinho. Além dos advogados de todos os continentes que dividem com ele um andar inteiro no edifício Fleming House, onde está uma das maiores empresas de telefonia móvel do país, a Lime, ele trabalha com a Kroll e outras empresas de investigação formada por ex-agentes da CIA, Scotland Yard e FBI.
“Essas empresas trabalham para a gente como suporte. Mas quem repatria são os advogados”, diz. Tudo com base na lei. No passado, era quase impossível chegar aos crimiminosos. Mas a justiça no mundo inteiro tem reconhecido o direito da vítima de identificar seus algozes e reparar o dano, inclusive o financeiro – caso de acionista lesado, ex-esposa passada para trás na partilha e nós, o povo, no caso da sonegação ou da corrupção.
“Havendo um processo judicial, mesmo que em outro país, a justiça reconhece o direito de quebrar o sigilo da empresa sob sua jurisdição”, explica Marcelo.
Foi assim que escritórios parceiros da banca onde Marcelo trabalha repatriaram o dinheiro da corrupção no caso do juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, e do ex-prefeito Paulo Maluf, de São Paulo.
Marcelo não entra em detalhes por conta de cláusulas de confidencialidade, mas admite que seu escritório trabalhou no caso em que Ricardo Teixeira foi acusado de receber propina para favorecer emissoras de telvisão na venda dos direitos de transmissão da Copa do Mundo. O suborno foi depositado numa conta de empresa aberta nas Ilhas Virgens Britânicas. Ricardo Teixeira fez acordo com a Justiça na Suíça, sede da Fifa, pagou multa milionária e se safou de uma condenação. Mas teve que se afastar do futebol profissional, e vive num autoexílio na Flórida, Estados Unidos.
Road Town não é a única coincidência que une a Globo a Ricardo Teixeira. Assim como o ex-presidente da CBF e dirigente da Fifa, a Globo também buscou refúgio naquele paraíso fiscal. Em junho de 1999, através de outra empresa offshore, a Globo abriu a Empire Investment Group Ltd., com capital de aproximadamente 220 milhões de dólares.
Em 2001, a Globo comprou, através de sua matriz brasileira, a mesma empresa. Informou ao Fisco que buscava expansão no mercado internscional de TV, e omitiu o fato de que a empresa já era dela. Mais tarde, quando investigou a Globo, a Receita Federal descobriu a fraude.
O auditor fiscal Alberto Zile escreveu: “As operações arroladas dão a clara ideia de que vários atos praticados pela fiscalizada estavam completamente dissociados de uma racional organização empresarial e, consequentemente, de que a aquisição da sociedade empresarial nas Ilhas Virgens Britânicas foi apenas um disfarce de uma aquisição dos direitos de transmissão, por meio de televisão, da competição desportiva de futebol internacional, com intuito de fugir da tributação”.
A Empire era titular dos direitos de transmissão, comprados por outra offshore da Globo junto a uma intemediária da Fifa, a ISL. A Empire, apesar de possuir um bem tão valioso como o direito de transmissão da Copa do Mundo, funcionava sem sede própria nas Ilhas Virgens.
A Empire dividia o mesmo endereço da Ernst & Young Trust Corporation, com a qual compartilhava também a caixa postal. “Com essas informações, não resta dúvida, a Empire era só papel, não tinha atividade nenhuma”, diz o advogado brasileiro que trabalha em Road Town desvendando o que há por trás das offshores.
Quando cheguei a Road Town, através de um barco que faz a travessia de Saint Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas, onde tem um aeroporto maior, fui procurar a Empire. “Nunca ouvi falar”, disse o funcionário de uma empresa de informática no térreo do prédio onde funcionava a Ernst & Young.
“Já prestei serviço para muitas empresas daqui, mas nunca soube que existisse essa empresa Empire. Duzentos e vinte milhões de dólares? É muito dinheiro…”, comenta o taxista Roy George, um dos poucos que aceitam se identificar num assunto “muito delicado”, como observa o dono de uma empresa vizinha da Empire.


A Ernst & Young dividia a mesma caixa postal com a Empire

Os documentos de fundação da Empire trazem apenas a assinatura de uma procuradora autorizada, Nancy E. A. Grant, e de uma testemunha, Hellen Gunn Sullivan. Eu procurei as duas, primeiro no antigo escritório da Ernst & Young, no Jayla Place. “Eles se mudaram”, informou a gerente da Appleby, empresa que também administra offshore (legal, como informa em seu site), que agora ocupa a metade do terceiro andar do edifício antes sede da EY.
A Ernest & Young foi para outro endereço, mais distante do centro, no luxuoso prédio Ritter House, ao lado da marina The Moorings. “Não conheço nenhuma delas”, diz a advogada que nasceu em Santo Domingo, República Dominicana, que me atendeu em pé, na recepção do escritório. Ao ser informada do assunto, fez questão de esclarecer: «Em Road Town, não administramos mais offshore. Somos uma empresa de contabilidade.»
É um fato. A EY transferiu todas as suas atividades de trust (administração por relação de confiança) para as Bahamas, e vendeu seus ativos (as empresas de papel) para a Tricor, que funciona no prédio do First Caribbean Bank. Carol, a gerente inglesa da Tricor, demonstrou incômodo quando me apresentei como jornalista brsileiro.
“O que você faz aqui?”, questionou, para em seguida dizer que Nancy, a procuradora da Empire (leia-se Globo), era sua antecessora na gerência da empresa. “Ela voltou para a Inglaterra, mas mesmo que estivesse aqui não poderia dar informação. Essas informações são fechadas”, disse.
Certamente, ela não sabe que a propriedade da Empire deixou de ser segredo quando o auditor Alberto Zile, a partir de uma denúncia vinda do exterior, vasculhou os documentos da Globo e descobriu que a Empire foi criada pela própria empresa brasileira. Segundo a Receita, o objetivo era sonegar impostos, o mesmo objetivo de milhares de empresas que se instalam por aqui.
Nas Ilhas Virgens Britânicas, os agentes fiduciários silenciam, mas o galo canta por toda parte, e é comum ver galinhas e pintinhos pelas praças e ao redor das mesas dos restaurantes à espera de que alguém jogue comida. É que a ave vive livre como os pombos no Brasil, embora os moradores gostem da carne no prato. Mas comem apenas o que compram no supermercado.
“Muitos séculos atrás, os espanhóis trouxeram as galinhas, e elas foram crescendo, crescendo, e nós gostamos de vê-las por aí”, conta o taxista Roy George, que tem curso superior. O filipino Gilberto Fabian se surpreendeu quando chegou ao país para trabalhar um ano atrás e viu tantas galinhas pela rua. “Em Manila, não ficava uma viva. O povo lá tem fome”, afirma
As Ilhas Virgens Britânicas têm uma das rendas per capita mais altas do mundo — quase 40 mil dólares por ano, salário mínimo de 2 500 dólares –, graças a uma economia impulsionada pela natureza bela e exuberante e ao suporte nos negócios financeiros. O segredo é a razão do sucesso do mercado financeiro.
Empresas instaladas aqui pagam taxas anuais, que garantem boa receita ao governo, mas não são nada se comparado ao que pagariam de impostos em seus países de origem. Este é um dos motivos da instalação de mais de quinhentas mil empresas, o dobro do número de habitantes.
Existem empresas que se instalam em Road Town, ainda que só existam no papel, e agem dentro da lei em seus países de origens, mas para a Receita Federal não foi este o caso da Globo. Não foram também as praias de água cristalina nem a floresta verde esmeralda que a fizeram aportar por aqui. Ilhas Virgens Britânicas se apresentam como Nature’s Little Secrets. Ou Segredinhos da Natureza. É um slogan que explica alguma coisa.


Um país cujo slogan apropriado é “Segredinhos da Natureza”
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David Graeber narra Revolução de Kobane


Antropólogo norte-americano conta que partido marxista aderiu a práticas de autonomia e 
exército composto por mulheres expulsou fundamentalistas

De Outras Palavras: David Graeber narra revolução curda que derrotou Estado Islâmico em 
Kobani

Os milicianos armados do EI (Estado Islâmico) terão que reformular uma de suas canções: “O Estado Islâmico permanece, o Estado Islâmico cresce”. Reconhecidos hoje como a maior ameaça fundamentalista do Oriente Médio, o EI acaba de sofrer um inesperado revés, depois de triunfar em consecutivas batalhas contra forças iraquianas e síria. Nesta segunda-feira (26/01), depois de 134 dias de resistência, a guerrilha curda, reunida nas Unidades de Proteção do Povo (Yekîneyên Parastina Gel – YPG), surpreendeu o mundo, expulsando as tropas do EI da cidade de Kobani, em território curdo situado no norte da Síria, junto à fronteira com a Turquia. Trata-se da derrota mais importante imposta sobre o EI na Síria desde sua aparição.
Desde o inicio da ofensiva contra Kobani, em 16 de setembro de 2014, mais de 600 combatentes curdos e 1.000 jihadistas morreram. A vitória foi comemorada nas redes sociais após anúncio feito pelo porta-voz oficial do YPG, Polat Can, via Twitter. Assim como o EI, os combatentes curdos articulam-se na rede mundial de computadores. Nas paginas do Facebook Kurdish Resistance & Liberation e Solidariedade à Resistência Popular Curda pode-se acompanhar as fotos e vídeos dos últimos confrontos e a festa de comemoração após a vitória. Nem o mais otimista analista político, nem a poderosa coalizão encabeçada pelos EUA para derrotar o EI, esperavam tamanha proeza. Como é possível que uma guerrilha formada por homens e mulheres, desamparados militarmente pela falta de um Estado oficial, consiga derrotar a tropa mais sanguinária dos últimos tempos?
David Graeber, professor de Antropologia (London School of Economics), passou 10 dias em Cizire – um dos acampamentos em Rojava, zona ocupada pelo curdos ao norte da Síria. Junto com estudantes, ativistas e acadêmicos, ele teve a oportunidade de observar a democracia confederalista curda.
O que motivou a ida de Graeber, foi uma pergunta feita em artigo publicado em Outubro passado no “The Guardian”, durante a primeira semana dos ataques do EI a Kobani: por que é que o mundo estava ignorando os curdos Sírios revolucionários? Mencionando o seu pai, que se voluntariou para lutar nas Brigadas Internacionais na república espanhola em 1937, perguntou:
“Se existe hoje um paralelo com os assassinos falangistas, superficialmente devotos de Franco, quem será senão o EI? Se existe hoje um paralelo com as Mujeres Libres de Espanha, quem será senão as corajosas mulheres que defendem as barricadas de Kobani? Vai o mundo – e desta vez mais escandalosamente, a esquerda internacional — ser condescendente em deixar que a história se repita?”
De acordo com Graeber, a zona de Rojava é fundamentalmente anti-estado, anti-capitalista e radicalmente democrática. Uma notável experiência revolucionária na região, que separa o poder coercitivo da administração pública e obriga aulas de feminismo para toda população. Leia a seguir, as impressões políticas que Graeber concedeu a Pinar Öğünç’s. (Cauê Seignemartin Ameni)

No artigo para o Guardian perguntaste por que é que o mundo ignora a “experiência democrática” dos curdos sírios. Depois da experiência de 10 dias, tens uma nova questão ou talvez uma resposta para isso?

Bem, se alguém tinha dúvidas se isto era uma verdadeira revolução, ou só alguma “sombra”, diria que esta visita tira todas as dúvidas. Ainda existem pessoas a dizer: “Isto é só uma frente do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), na verdade são só uma organização autoritária stalinista, que apenas finge ter adotado uma democracia radical”. Não. Isto é mesmo sério. É uma revolução genuína. Mas de certa maneira, é exatamente esse o problema. Os grandes poderes têm-se entregado a uma ideologia que diz que as verdadeiras revoluções já não podem acontecer. Entretanto, muita da esquerda, mesmo a radical, parece taticamente ter adotado a política que assume o mesmo, apesar de parecerem superficialmente revolucionários. Com um tipo de “anti-imperialismo” puritano que assume que os únicos jogadores importantes são os governos e capitalistas, e que esse é o único jogo que vale a pena discutir. O jogo onde se batalha, se criam vilões míticos, se agarra petróleo e outros recursos, montam-se redes de patrocínios; é o único jogo da cidade. O povo de Rojava diz: “Nós não queremos jogar esse jogo. Queremos criar um novo”. Muita gente acha isto confuso e perturbador, então escolhem acreditar que não está acontecendo nada, ou que essas pessoas estão iludidas, são desonestas ou ingênuas.

Leia mais: Relato - Fugindo de Kobani: alívio e culpa

Desde Outubro que vemos uma crescente solidariedade vinda de vários movimentos políticos de todo o mundo. Houve uma grande e entusiástica cobertura da resistência em Kobani pelos meios de comunicação internacionais. A posição política perante Rojava mudou no Ocidente, de certa forma. Existem sinais significativos, mas estariam discutindo suficientemente a autonomia democrática e as experiências nos cantões de Rojava? Que parte de “algumas pessoas corajosas a lutar contra o grande mal desta era, o EI” não estará a dominar esta aprovação e este fascínio? Acho que é notável que tanta gente no Ocidente olhe para estes quadros de feministas armadas, por exemplo, e nem sequer pense nas ideias por trás delas. Apenas se apercebem que assim aconteceu, por algum motivo. “Penso que é uma tradição curda”. De certo modo, claro que se trata de orientalismo, ou simplesmente racismo. Nunca lhe ocorreu que as pessoas no Curdistão também possam ler Judith Butler. Na melhor das hipóteses pensam: “Oh, estão tentando alcançar os padrões ocidentais da democracia e dos direitos das mulheres. Será que é sério ou será que é só para os estrangeiros verem?”. Não lhes ocorre que eles podem estar levando as coisas bem mais longe que os “padrões ocidentais” alguma vez levaram; que acreditam genuinamente nos princípios que os Estados ocidentais apenas professam.


Imagem mostra resistência curda em 1º de outubro de 2014

Mencionaste a aproximação da esquerda sobre Rojava. Como isso é recebido nas comunidades anarquistas internacionais?

A reação da comunidade anarquista internacional tem sido decididamente diversa. De certa maneira, acho difícil de entender. Existe um grupo substancial de anarquistas – normalmente os elementos mais sectários – que insiste que o PKK ainda é um grupo nacionalista autoritário stalinista, que adotou as teoria do Murray Bookchin, e outros partidários da esquerda libertária, para cortejar a esquerda anti-autoritária na Europa e América. Parece-me uma das ideias mais parvas e narcisistas que já ouvi. Mesmo que a premissa estivesse correta, e que um grupo marxista-leninista decidisse fingir uma ideologia para obter apoio estrangeiro, por que raio é que iriam escolher ideias anarquistas desenvolvidas por Murray Bookchin? Isso seria a jogada mais estúpida de sempre. Obviamente fingiriam ser islamitas ou liberais, já que são esses que conseguem armas e apoio material. De qualquer maneira, penso que muita gente na esquerda internacional, incluindo a esquerda anarquista, não quer basicamente ganhar. Não conseguem imaginar que uma revolução realmente acontecesse, e, secretamente, nem sequer a querem, uma vez que isso significaria partilhar o seu clube “cult” com pessoas comuns; já não seriam especiais. Assim, até é útil para separar os verdadeiros revolucionários dos “posers”. Mas os verdadeiros revolucionários têm-se mantido firmes.

Qual foi a coisa mais impressionante que testemunhaste em Rojava nos termos práticos desta autonomia democrática?


Existem tantas coisas impressionantes. Acho que nunca ouvi falar de nenhum outro lado do mundo onde tenha existido uma situação de dualidade de poder, onde as mesmas forças políticas criaram ambos os lados. Existe a “auto-administração democrática”, onde existem todas as formas e armadilhas de um Estado – Parlamento, ministros, e por aí –, mas criada para ser cuidadosamente separada dos meios do poder coercivo. Depois há o TEV-DEM (o Movimento da Sociedade Democrática), raiz das instituições, dirigido via democracia direta. No final – e isto é fulcral – as forças de segurança respondem perante as estruturas que seguem uma abordagem de baixo para cima, e não de cima para baixo. Um dos primeiros locais que visitamos foi a academia de polícia (Asayis). Todos tiveram que frequentar cursos de resolução de conflitos não violenta e de teoria feminista antes de serem autorizados a pegar numa arma. Os co-diretores explicaram-nos que o seu objetivo final é dar seis semanas de treino policial a toda a gente no país, para que em última análise se possa eliminar a polícia.

O que responderias às várias críticas em torno de Rojava? Por exemplo: “Eles nunca fariam isto em tempos de paz. É por causa do estado de guerra”…

Bem, penso que a maioria dos movimentos, perante as condições horrendas da guerra, não iria no entanto abolir imediatamente a pena capital, dissolver a polícia secreta e democratizar o exército. As unidades militares, por exemplo, elegem os seus oficiais.

E existe outra crítica, bastante popular nos círculos pro-governo aqui na Turquia: “O modelo que os Curdos – na linha do PKK e PYD (o Partido Curdo de União Democrática, na Síria) – estão tentando promover não é na verdade seguido por todas as pessoas que lá vivem. Essa multi-estrutura existe apenas à superfície, nos símbolos”…
Bem, o presidente do cantão de Cizire é árabe, é de fato o chefe da maior tribo local. Suponho que se possa dizer que ele é só uma figura. No sentido que todo o governo o é. Mas ao olhar para as estruturas organizadas de baixo para cima, é certo que não são só os curdos que estão participando. Disseram-me que o único problema sério é com algumas aldeias do “cinto árabe”, pessoas trazidas de outras partes da Síria pelos Baathistas nos anos 1950 e 60, como parte de uma política de marginalização e assimilação dos curdos. Algumas dessas comunidades afirmaram-se bastante hostis à revolução. Mas os árabes cujas famílias já estão lá há várias gerações, ou os assírios, quirguizes, armênios, chechenos, mostram-se entusiasmados. Os assírios com quem falamos disseram que, após uma longa e difícil relação com o governo, sentiram que finalmente lhes era permitida autonomia cultural e religiosa. Provavelmente, o maior problema pode ser o da libertação das mulheres. O PYD e o TEV-DEM vêem isso como absolutamente central na sua ideia de revolução, mas também enfrentam o problema de lidar com alianças maiores, com comunidades árabes que sentem que isto viola princípios religiosos básicos. Por exemplo, enquanto aqueles que falam siríaco têm a sua própria união de mulheres, os árabes não, e as garotas árabes interessadas em organizar-se em torno de questões de gênero ou até assistir a seminários feministas têm de se juntar com os assírios ou mesmo com os curdos.


Curdas se preparam para lutar contra EI - imagem de 27 de setembro

Não é necessário estar preso no “quadro anti-imperialista puritano” que mencionaste antes, mas o que dirias em relação ao comentário que o ocidente/imperialismo irá um dia exigir aos curdos sírios um pagamento pelo seu apoio? O que é que o ocidente pensa exatamente sobre este modelo anti-estado e anti-capitalista? É apenas uma experiência que pode ser ignorada durante um estado de guerra, enquanto os curdos aceitam voluntariamente combater um inimigo criado pelo ocidente?

É absolutamente verdade que os EUA e a Europa irão fazer o que puderem para subverter a revolução. Nem é preciso dizer nada. As pessoas com quem falei estão bem cientes disso. Mas não fazem grande diferenciação entre a liderança de poderes regionais como na Turquia, Irã ou Arábia Saudita, e poderes Euro-americanos como por exemplo França ou EUA. Assumem que são todos capitalistas e estadistas e portanto anti-revolucionários, que podem no melhor dos casos ser convencidos a apoiarem-nos mas que, em última análise, não estão do seu lado. Depois existem questões ainda mais complicadas da estrutura da chamada comunidade internacional, o sistema global de instituições como a ONU ou FMI, corporações, ONG’s, organizações humanitárias, em que todas presumem uma organização estadista, um governo que pode passar leis e detém o monopólio da aplicação coerciva dessas leis. Só existe um aeroporto em Cizire e está sob o controle do governo sírio. Podem tomá-lo a qualquer altura, dizem. E há uma razão para não o fazerem: como iria um não-Estado dirigir um aeroporto? Tudo o que se faz num aeroporto é sujeito a regulamentos internacionais, o que presume um Estado.

Tens uma resposta para o porquê da obsessão do EI com Kobani?

Bem, eles não podem ser vistos perdendo. Toda a sua estratégia de recrutamento é baseada na ideia que eles são imparáveis, e que a sua contínua vitória é a prova que representam a vontade de Deus. Serem derrotados por um monte de feministas seria a humilhação final. Enquanto estiverem lutando em Kobani, podem dizer que a mídia mente e que estão avançando verdadeiramente. Quem pode provar o contrário? Se recuassem seria admitir a derrota.

Tens resposta para o que Tayyip Erdogan e o seu partido estão tentando fazer na Síria e o Oriente Médio em geral?

Posso apenas imaginar. Parece que Erdogan passou de uma política anti-Assad e anti-curda para uma estratégia quase puramente anti-curda. Repetidamente tem mostrado vontade de se aliar com fascistas pseudo-religiosos para atacar qualquer experiência de democracia radical inspirada no PKK. Ele vê claramente, como o próprio Daesh (EI), que o que está sendo feito é uma ameaça ideológica, talvez a única alternativa ideológica viável face ao islamismo de direita que se avizinha, e tudo fará para a eliminar.

De um lado existem os curdos iraquianos com uma ideologia bem diferente em termos de capitalismo e noção de independência. Por outro lado, existe este exemplo alternativo em Rojava. E existem os curdos da Turquia que tentam manter um processo de paz com o governo… Pessoalmente, como vês o futuro do Curdistão a curto e a longo prazo?

Quem pode dizer? Neste momento as coisas parecem surpreendentemente boas para as forças revolucionárias. O KDG até desistiu da enorme vala que estava construindo através da fronteira de Rojava, após o PKK intervir e salvar Erbil e outras cidades dos avanços do EI, em Agosto. Um membro do KNK me disse que isso teve um grande impacto na consciência popular; que um mês criou tanta consciência como 20 anos. Os jovens estavam particularmente impressionados pelo fato de seus próprios Peshmerga abandonarem o campo de batalha, mas as mulheres do PKK não. Mas é difícil de imaginar como é que o território de KRG será contudo revolucionado num futuro próximo. Nem o poder internacional o permitiria.

Apesar da autonomia democrática não parecer estar em cima da mesa de negociações na Turquia, o Movimento Político Curdo está trabalhando nisso, especialmente a nível social. Tentam encontrar soluções em termos legais e econômicos para possíveis modelos. Quando comparamos, digamos, a estrutura de classes e o nível de capitalismo no Curdistão Ocidental (Rojava) e no Norte (Turquia), o que pensas sobre as diferenças destas duas lutas para uma sociedade anti-capitalista – ou para um capitalismo minimizado, como o descrevem?

Penso que a luta curda é explicitamente anti-capitalista em ambos os países. É o seu ponto de partida. Conseguiram uma espécie de fórmula: não eliminar o capitalismo sem eliminar o Estado, e não podemos eliminar o Estado sem eliminar o patriarcado. No entanto, o povo de Rojava tem a questão simplificada em termos de classes porque a verdadeira burguesia, tal como existia numa região maioritariamente agrícola, desapareceu com o colapso do regime de Baath. Enfrentarão um problema a longo prazo se não trabalharem no sistema educativo, para assegurar que um estrato tecnocrata de desenvolvimento não tente eventualmente tomar poder, entretanto, é compreensível que se foquem de imediato nas questões de gênero. Na Turquia não sei tanto, mas tenho a sensação que as coisas são muito mais complicadas.

Durante os dias em que as pessoas do mundo não podiam respirar por razões óbvias, a tua viagem a Rojava inspirou-te sobre o futuro? Qual achas que é o “remédio” para as pessoas respirarem?


Foi extraordinário. Passei a minha vida pensando em como poderíamos fazer coisas como estas num futuro remoto e a maioria das pessoas pensa que sou louco por imaginar que isto alguma vez vai acontecer. Estas pessoas estão fazendo agora. Se eles provarem que pode ser feito, que uma sociedade genuinamente igualitária e democrática é possível, isto irá transformar completamente a noção de possibilidades humanas. Pessoalmente, sinto-me dez anos mais novo só de ter lá passado dez dias.

Com que cena te irás recordar da tua viajem a Cizire?


Existem tantas imagens impressionantes, tantas ideias. Gostei da disparidade entre o aspecto das pessoas e as coisas que diziam. Conhece-se alguém, um médico, que parece um militar sírio, vagamente assustador, de casaco de cabedal e expressão austera. Depois fala-se com ele e ele explica: “Bem, sentimos que a melhor abordagem à saúde pública é a prevenção, a maioria das doenças ocorre devido ao stress. Sentimos que se reduzirmos o stress, os níveis de doenças de coração, diabetes, e mesmo o cancro irão diminuir. Assim, o nosso plano final é reorganizar as cidades para terem 70% de espaços verdes…” Existem todos estes planos loucos e brilhantes. Mas depois vai-se ao médico ao lado e explica-nos que, graças ao embargo turco, não conseguem sequer obter equipamento ou medicamentos básicos, que todos os pacientes para diálise que não foram levados dali morreram… Esta disjunção entre as ambições e as incríveis e difíceis circunstâncias. A mulher que era efetivamente a nossa guia era uma vice-chanceler chamada Amina. A certa altura, pedimos desculpa por não termos trazido presentes melhores e ajudado a população de Rojava, que sofre sob o embargo. E ela disse: “No final, isso pouco importa. Temos a única coisa que ninguém nos pode dar. Temos a nossa liberdade. Vocês não. Quem me dera que houvesse uma maneira de poder dá-la”.

É as vezes criticado por seres demasiado otimista e entusiasta sobre o que está acontecendo em Rojava. Achas que és? Ou há alguma coisa que não entendem?

Sou otimista de temperamento, procuro situações que carreguem alguma promessa. Não acho que existam garantias que isto resultará no final, que não será esmagado, mas certamente que não será se toda a gente decidir que nenhuma revolução é possível e se recusar a dar-lhe apoio ativamente, ou até dedicar esforços a atacá-la ou aumentar o seu isolamento, como muitos fazem. Se existem alguma coisa da qual tenho consciência e os outros não, talvez seja o fato da história não estar terminada. Os capitalistas têm feito um esforço enorme nos últimos 30 ou 40 anos em convencer as pessoas que os atuais acordos econômicos – nem sequer o capitalismo, mas a forma de capitalismo semi-feudal, financializada, peculiar que temos hoje em dia – são o único sistema econômico possível. Puseram mais esforços nisto do que em criar um sistema capitalista global viável. Como resultado, o sistema está a despedaçar-se à nossa volta no preciso momento em que toda a gente perdeu a capacidade de imaginar outra coisa. Bem, é bastante óbvio que em 50 anos, o capitalismo sob qualquer forma que conhecemos, e provavelmente sob qualquer outra forma, já não existirá. Terá sido substituído por outra coisa. Essa coisa pode não ser melhor. Pode até ser pior. Por esse mesmo motivo, parece-me que é nossa responsabilidade, enquanto intelectuais, ou simplesmente seres humanos pensantes, de pelo menos pensar como será uma coisa melhor. E se existem pessoas que estão verdadeiramente tentando criar essa coisa melhor, é nossa responsabilidade ajudá-las.

Publicado originalmente no site Evrensel / Tradução Jornal Mapa
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Câmara de Belterra anula posse e atos do "Demo-Prefeito por um dia"


Blogueiro Patrocinio Salgadão, o Rei dos Buffets, não aguentou o tranco e no meio de um ataque histérico, resolveu assaltar  o Buffet da Padaria Massabor tomando centenas de salgadinhos com reféns ! Após ter sido agarrado e sedado, parece estar agora sob os cuidados médicos do Dr. Macedo. 

A Câmara de Vereadores de Belterra, em sessão extraordinária realizada há pouco, anulou a posse abusiva do ex-prefeito por um dia Jociclélio Macedo, mais conhecido como Demo-Macêdo.
Com isso, todos os atos dele nas 24 horas de exercício abusivo do cargo passaram à condição de nulos.
Seis vereadores votaram pela anulação, cinco contra e houve uma abstenção.
A sessão foi comandada por Laura Mota (PMDB), presidente da Casa.
Demo-Macedo havia assumido a prefeitura após um "golpe" promovido por uma minoria de vereadores no dia 19 de dezembro de 2014, que aproveitaram uma decisão do TRE contra a prefeita Dilma Serrão (PT), logo suspensa pelo TSE.
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CPI DAS MILÍCIAS REVELA UM ESTADO PARALELO, PODEROSO E CRIMINOSO NO PARÁ.


Organizações sociais e de direitos humanos cobram "CPI das milícias" em Belém. “Criminosos 
revelaram o preço de um assassinato por encomenda, o qual varia entre R$ 200 e R$ 15 mil”

 As Falas da Pólis:


Depois de 88 dias do assassinato do cabo da Polícia Militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo, o “Pet”, seguido com a retaliação por parte de uma milícia que executou 10 jovens em bairros periféricos, na virada do dia 04 para o dia 05 de novembro de 2014, naquilo que ficou conhecido como a Chacina de Belém, foi entregue na manhã desta sexta-feira (30), o relatório final da CPI das Milícias, com 226 páginas, o trabalho é fruto de 44 dias de investigações sobre o caso que abalou o Estado e o Brasil, tamanha a covardia e a frieza com que as vítimas foram executadas.
Além de pedir o indiciamento do miliciano “Pet” e de seus comparsas, entre eles o Sargento Rossicley Silva, que convocou a chacina via facebook, o documento faz uma série de recomendações revela como agem os grupos de milicianos no Pará, além de descrever como funciona o esquema criminoso, que segundo o relatório, é financiado pelo controle do tráfico de drogas, em áreas comandas pelas milícias; assassinatos por encomenda; “contratos” de segurança privada, feita por policiais e ex-policiais de forma clandestina; venda de “proteção” para traficantes venderem suas drogas tranquilamente; apropriação e revenda de drogas roubadas de outros traficantes e usuários de drogas; roubos; assaltos e até desvio de recursos públicos, seja através do financiamento de candidaturas e depois fraudes em licitações, além de outras ações ilegais e corruptas, junto à prefeituras e mandados parlamentares. Um poder pararelo que subjulga e desafia o Estado de Direito no Pará e coloca-nos diante de uma realidade muito parecida com o roteiro do filme Tropa de Elite II.
O relator da CPI, Deputado Carlos Bordalo (PT) revelou que ficou perplexo ao ter acesso às informações de um grampo telefônico da polícia, onde os criminosos revelaram o preço de um assassinato por encomenda, o qual varia entre R$ 200 e R$ 15 mil. “Um delegado confessou para mim que investigar o trabalho das milícias fez com que ele se mudasse de endereço várias vezes, saísse do estado. Se ele me disse isso, o que não pode acontecer com a gente?”, disse o relator da CPI, Carlos Bordalo.
Não foi à toa que logo depois da Chacina em Belém, mais de 100 entidades da sociedade civil organizada manifestaram a necessidade da instalação da CPI na Assembleia Legislativa do Estado, afinal não havia a confiança de que haveria a vontade política por parte do governador do Estado em dar encaminhamentos práticos e ágeis às investigações de forma transparente, pois muitos outros casos de chacinas e execussões já aconteceram e quase todos ficaram impunes.
E foi na base de muita pressão política, que mesmo com a base governista na ALEPA sendo maioria e se posicionado contra o requerimento feito pelo Deputado Edmilson Rodrigues (PSOL), a oposição conseguiu coletar o número mínimo de assinaturas entre seus pares e deu entrada no requerimento de instalação da CPI, que foi instalada e cumpriu seus objetivos específicos, os quais estavam definidos em:
I – Determinar a existência de Milícias e Grupos de Extermínio, identificando seu “modus operandi”, seu estágio de desenvolvimento e o grau de infiltração de seus membros em instituições públicas, especialmente da área de Segurança Pública.

II) Determinar a participação de Milícias ou Grupos de Extermínio nas seguintes Operações: 

1. Operação “Navalha na Carne”, deflagrada em agosto de 2008;
2. Operação “Katrina”, deflagrada em agosto de 2014;
3. Operação “Falso Patuá”, deflagrada em setembro de 2014.

III – Determinar a participação de Milícias ou Grupos de Extermínio nos seguintes eventos:


1, Chacina de Rondon do Pará, ocorrida em 12 de fevereiro de 2010;
2, Chacina de Abaetetuba, ocorrida em 04 de junho de 2011;
3. Chacina de Santa Izabel, ocorrida em 27 de agosto de 2011;
4. Chacina de Icoaraci, ocorrida em 19 de novembro de 2011;
5. Chacina da Terra Firme e Guamá, ocorrida nos dias 04 e 05 de novembro de 2014.
IV – Determinar a existência de correlação entre a atuação de Grupos de Extermínio abaixo relacionados e Mílicias:
1. Grupo de Extermínio de Igarapé Açu;
2. Grupo de Extermínio de Tomé Açu;
3. Grupo de Extermínio de Paragominas;
4. Grupo de Extermínio em atuação em Ananindeua e Marituba, com foco no bairro do Aurá.
Como se pode perceber, a CPI não apurou apenas um evento e uma ação de extermínio, como muitos imaginam, e sim um poder paralelo que se alimenta das mais variadas práticas criminosas e que age com braços de agentes públicos, com poder econômico e político no Estado do Pará. Cabe agora que o Executivo Estadual e o Ministério Público do Estado deem continuidade às investigações e assim como as prefeituras das cidades, os órgãos responsáveis pelas políticas públicas desenvolvam ações que oportunizem a juventude a ter mais acesso ao seus direitos com oportunidades e proteção social.
Leia e baixe o relatório completo aqui.

Protesto pacífico

Durante a apresentação do relatório um grupo de mais de 200 jovens oriundos de movimentos sociais da cidade e do campo, conseguiram se desvencilhar dos seguranças da ALEPA e ocuparam o auditório João Batista com palavras de ordem contra a impunidade e cantando letras de canções como “Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia”, fizeram uma performance como protesto pacífico e depois participaram do ato que entrou para a história política do Estado do Pará.
A juventude sendo dizimada
Segundo o 5º Índice de homicídios de adolescentes divulgado pelo governo federal, sociedade civil e UNICEF, nesta quarta-feira (28), até 2019 mais de 40 mil jovens, entre 12 e 18 anos serão assassinados. No rancking nacional, o Pará o 8º Estado mais violento e Belém é a 5ª cidade mais violenta do Brasil para a juventude.
Mesmo assim, os problemas do Estado e da região Norte não são citados em vários instumentos de monitoramento dos Direitos Humanos, tal como o Relatório sobre os Direitos Humanos no Brasil e no mundo, recentemente publicado pela Human Rights Watch e pouco se fala dos problemas da região Amazônica. É uma guerra invisível, onde as vítimas são negros, pobres e sem acesso à educação, saneamento, bens culturais e proteção do Estado.
Pra piorar, programas policialescos exibidos por diversas emissoras de ´radio e TV, incitam a violência policial, com o preconceito e a discriminação, formando uma opinião pública favorável à ação de grupos de extermínio de quem se enquadra no perfil de suspeitos.
Com isso, por mais não que não sejam criminoso, muitos jovens e adolencentes em situação de vulnerabilidade social e pessoal, acabam sendo mortos ou presos injustamente.


A entrega do relatório da CPI das Milícias lotou o auditório da ALEPA e contou com a 
presença de autoridades e lideranças de várias entidades dos movimentos sociais do Pará. Foto: 
Apolônio Brasileiro.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Na Câmara, eles sempre ganham; perderemos nós


Eduardo Cúnha e Severino Cavalcanti

No Balaio do Kotscho,

O que diria o velho doutor Ulysses, ao observar, lá do alto, esta renhida disputa pelo comando da 
Câmara?
"Vocês ainda vão sentir saudades do Severino Cavalcanti...", poderia comentar naquele seu jeitão 
cético de quem sabia das coisas, diante da ameaça real da vitória do deputado carioca Eduardo Cunha, 
na eleição deste domingo, para ocupar o terceiro cargo da República.
Se lesse esse texto, Ulysses me faria uma ressalva: "Velho, sim, mas não velhaco". Pois agora, 
parafraseando Nelson Rodrigues, o capitão da resistência democrática poderia constatar que os 
velhacos perderam a modéstia e já dominam o picadeiro, viraram protagonistas.
Só para lembrar, Severino era um legítimo representante do chamado baixo clero, como Cunha 
também é, no papel de líder do sindicato dos deputados sem rosto, sempre em busca de mais 
vantagens. Só que, perto de Cunha, o folclórico deputado pernambucano, que surpreendeu o país ao 
ser eleito para a presidência da Câmara, em 2005, era um amador, podemos dizer, até um romântico.
No jogo de chantagens do Legislativo com o Executivo, Severino queria apenas uma diretoria da 
Petrobras, "aquela que fura poços", e acabou se vendendo por um módico mensalinho de R$ 10 mil 
mensais ao concessionário do restaurante da Câmara. Eram outros tempos.
Eduardo Cunha é, acima de tudo, um profissional. Age, não como sindicalista, mas como empresário, 
como bem constatou o colega Luiz Fernando Vianna, desde que surgiu nas franjas do submundo da 
política fluminense, levado pelas mãos de PC Farias, no começo dos anos 1990, para ocupar um cargo 
na falecida Telerj.
Desde então, aliado ora a Collor, ora a Garotinho, ora a Cesar Maia, acumula em seu currículo um 
longo prontuário de processos na Justiça, que não o impediram de seguir na sua vitoriosa carreira, 
chegando aonde chegou, como franco favorito. Pode ganhar até no primeiro turno, derrotando o 
governo federal, que acabou de tomar posse, e do qual é desafeto assumido.
Suprapartidário, é líder do PMDB, o principal aliado do governo, mas ninguém na Câmara é mais 
oposicionista do que ele. Gabou-se nas últimas eleições de ter ajudado a eleger sua própria bancada e 
logo lançou-se em campanha pela presidência, com a retaguarda garantida por grandes grupos de 
variados interesses econômicos e midiáticos, que sempre o apoiaram.
Do outro lado, concorre para valer só o candidato oficial do governo, Arlindo Chinaglia, do PT 
paulista, que já foi um anódino presidente da Câmara. Chinaglia joga suas últimas fichas no trabalho de 
ministros do Palácio do Planalto, correndo atrás do prejuízo, com suas planilhas para cobrar fidelidade 
de parlamentares dos partidos aliados que ocupam cargos no governo.
Durante toda esta "campanha eleitoral" milionária na caça ao voto dos deputados, com jatinhos e 
comilanças à vontade, nenhum dos dois discutiu os graves problemas nacionais, muito menos projetos 
para o país. A disputa entre os dois se limita a saber quem oferece mais cargos e mordomias às 
insaciáveis excelências.
Como o voto é secreto, ninguém saberá quem trairá quem, mas de uma coisa podemos ter certeza: 
ganhe quem ganhar, diante deste cenário de vale tudo, perderemos nós.
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Petrobras: O preço da teimosia de Dilma



No Balaio do Kotscho, 

É até maldade o que a presidente Dilma está fazendo com sua amiga Graça Foster, obrigada todos os 
dias a mostrar a cara para explicar o inexplicável na enxurrada de denúncias, prejuízos e lambanças na 
Petrobras, outrora a maior empresa brasileira.
Lealdade e teimosia deveriam ter limite quando estão em jogo os interesses da Nação. Chegamos a um 
ponto, após a divulgação do último balanço da empresa, na madrugada desta quarta-feira, com dois 
meses de atraso, em que não dá mais para adiar a troca imediata de toda a diretoria executiva e do 
conselho de administração da Petrobras.
Trata-se de uma questão de sobrevivência da empresa. O desafio, agora que chegamos ao fundo do 
poço, é saber quem aceita pegar esta bucha de canhão, com todos os processos que correm na Justiça 
brasileira e nos Estados Unidos.
Basta citar apenas um número sobre o que aconteceu após a divulgação do balanço: as ações da 
Petrobras caíram 11,2% na Bolsa e o valor de mercado da empresa desabou de R$ 129 bilhões para R$ 
115 bilhões, uma perda de R$ 13,9 bilhões em apenas um dia.
De nada adianta agora Dilma fazer discursos denunciando os inimigos internos e externos interessados 
na privatização da empresa. Que eles existem, e são poderosos, cansamos de ver todos os dias na mídia 
familiar, mas isto não resolve o desafio imediato, urgente, inadiável: evitar a quebra da empresa, com o 
contínuo derretimento das suas ações e dos seus ativos.
Para isso, é preciso recuperar um mínimo de credibilidade no mercado, com a indicação de novos 
responsáveis pelo seu comando, exatamente como Dilma fez ao nomear Joaquim Levy para o 
Ministério da Fazenda. Vejam bem, não estão em discussão a competência e a honestidade de Dilma e 
Graça, mas a presidente da Petrobras está visivelmente com seu prazo de validade vencido. Nem ela 
aguenta mais.
Meu colega Heródoto Barbeiro já mostrou na quarta-feira (28) no telão do Jornal da Record News 
(assista aqui) os números desta tragédia anunciada a cada balanço, ano a ano, trimestre a trimestre, 
desde o início das denúncias do esquema de corrupção pela Operação Lava Jato. O valor dos prejuízos 
é incalculável, como a própria empresa reconheceu, em seu comunicado oficial sobre o balanço, que 
omitiu este dado, e fez a Bolsa despencar.
Não tenho ações da Petrobras, nada entendo de balanços nem de economia, mas não é preciso ser 
nenhum especialista para saber que lucro é lucro, prejuízo é prejuízo, tanto faz se é numa instituição 
pública ou privada. Toda empresa tem que dar lucro ou acaba fechando. E a Petrobras não é uma 
entidade de benemerência.
No mesmo dia em que o balanço do terceiro trimestre, sem aval de uma auditoria externa, mostrou uma 
queda de 38% no lucro líquido em relação ao período anterior, enquanto o endividamento da empresa 
crescia 18% apenas entre o final de 2013 e setembro de 2014, atingindo estratosféricos R$ 261 bilhões, 
o McDonald´s, que também não é uma entidade de benemerência, anunciava a demissão do seu 
presidente, Dan Thompson.
Motivo: as vendas globais da empresa caíram 1% (sim, apenas um por cento) em 2014 e o lucro 
líquido mostrou queda de 15% no ano. A Petrobras, eu sei, não é um McDonald´s, mas acionista é 
acionista em qualquer lugar do mundo. E qualquer empresa, no mundo capitalista em que vivemos,
depende de investimentos e financiamentos, não vive de discursos nem de ideologias.
A teimosia de Dilma em deixar tudo como está causa crescentes prejuízos não só à Petrobras e seus 
acionistas, mas à imagem do seu próprio governo e à do país.
Até quando?
E vamos que vamos.
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DEPOIS DO AECIOPORTO .... VEM AÍ .... O AÉCIOBARBA !!!

NAS BARBAS DO DR. MORO, A FAMÍLIA “ENOJADA” CONTINUA APRONTANDO


De onde veio essa grana? De salário? Do cofrinho? Do tal baú escondido no quintal da casa?

Por Fernando Brito

Lembram da história do ladrão “convertido” Paulo Roberto Costa, sobre o “estar enojado” e ter se
arrependido em defesa dos valores familiares?
Pois não é que a família Barrabás, agora santificada e protegida em acordos de delação premiada, por 
seu caráter redimido, que lhe dá o direito de acusar qualquer um, continua aprontando, nas barbas do 
Dr. Sérgio Moro?
Graças a um erro da funcionária Catia Nunes Cavalcante, da agência carioca do Bradesco, que 
ficamos sabendo que a moça continua fazendo altos negócios.
Porque, afinal, quem está com bens bloqueados e tem dinheiro para pedir de sua conta bancária dois 
cheques de R$ 500 mil e R$150 mil.
Como o cheque foi emitido errado e a goela é grande, Arianna reteve o documento e está sendo 
processada para devolvê-lo ao banco.
Mas, francamente, você acha que alguém recebe um cheque de 500 mil reais e não percebe na hora 
que está escrito mil vezes mais?
Que a funcionária, que preenche num terminal – daqueles, inclusive, que têm teclas de três zeros – 
dezenas de cheques todo dia tem “comido mosca”, vá lá. Uma fez um funcionário do antigo Banerj 
errou a digitação de um número e foram parar dois mil reais a mais na conta de minha mãe. Claro, 
devolvidos imediatamente.
Mas que essa moça, com os bens bloqueados, movimente na sua conta pessoal uma quantia de R$ 650 
mil é o “ó”, não é, Dr. Moro?
De onde veio essa grana? De salário? Do cofrinho? Do tal baú escondido no quintal da casa?
Foi fruto de sua atividade de corretagem? Será que ela vendeu o Taj Mahal?
A família Costa é uma organização criminosa, que foi previamente perdoada pelos nossos doutos 
procuradores do Ministério Público e o seu patriarca é tratado como o oráculo de onde vem a verdade e 
a honradez.
Mas aí, descobre-se que a filha do enojado, em plena virada do ano, numa situação em que deveria 
estar dependendo até dos parentes para comprar um tender bolinha para o reveillon, saca R$ 650 mil 
em cheques administrativos de sua conta.
E como um dos cheques vem errado, com R$ 500 milhões em lugar de R$ 500 mil, ainda retém o 
documento, quem sabe para ver se tirava mais algum também disso.
E o Ministério Público, com o Dr. Moro, oferecendo casa, comida e roupa lavada para a família 
honrada apontar todos os desonestos da Petrobras.
Viva o Brasil!
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O PT PRIVATIZANTE DE MARABÁ


“A decisão da executiva estadual do PT não interfere em nada nas decisões municipais de nosso partido. Aqui nós somos totalmente favoráveis à estatização programada dos serviços de água e esgoto, porque entendemos ser este o melhor caminho para o poder público local resolver esse sério problema de saneamento e abastecimento de água de Marabá.”

Declaração é do prefeito em exercício de Marabá, Luiz Carlos Pies (PT), ao ser ouvido pelo blog do Hiroshi sobre a moção, aprovada em Belém, pelo diretório estadual do partido, contrária à disposição da prefeitura de Marabá rever os serviços prestados pela Cosanpa, no município.
“A Bernadete (deputada Bernadete ten Caten, esposa de Luiz), inclusive, não participou das reuniões do diretório, em Belém, por se encontrar em fase de recuperação de uma cirurgia feita dias atrás, mas a nossa posição, aqui em Marabá, é de apoio a essa decisão de estatização programada (dos serviços de água e esgoto)”, revelou o prefeito em exercício.
Também membro do diretório municipal do PT, o secretário de Administração Ademir Martins confirmou as declarações de Luiz Carlos.
“Nosso partido, aqui no município, já discutiu essa questão, estando plenamente favorável à terceirização dos serviços de água e esgoto. Outra coisa, o próprio Luiz Carlos é quem está agora coordenando essa questão, a convite do prefeito João Salame. O vice prefeito estará à frente e todas as reuniões a serem programadas, para discutir abertamente o processo”, disse Ademir.
A moção aprovada na reunião do diretório estadual do PT foi a pedido do vereador petista de Belém Otavio Pinheiro, que também integra o sindicato dos Urbanitários, ligado à corrente do senador Paulo Rocha.
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Doença de Jader Barbalho é mantida a sete chaves



Mais uma vez, a boataria se espalha por diversos cantos do Estado dando conta de que o senador Jader
Barbalho (PMDB) teria sido submetido a uma cirurgia num hospital de referência de São Paulo, mais 
precisamente o Sírio Libanês.
O disse-me-disse dá conta de todo tipo de enfermidade, inclusive sobre uma possível cirurgia de 
retirada de tumor.
Outra vertente espalha tititi creditando alto nível de glicose no sangue do senador, o que teria elevado o 
diabetes de Barbalho a graus estratosféricos.
Fala-se de que o senador há tempo não estaria bem de saúde.
E os boatos se multiplicam porque, no Brasil, via de regra, falta transparência nessa questão de doença 
envolvendo personalidades.
Poucos são aqueles que vêm a público dizer o que realmente está acontecendo, como o ex-presidente
Lula, que de forma direta e clara, um dia, chamou a imprensa para comunicar ao país que seria 
submetido a tratamento de câncer.
Antes dele, ainda como ministra de Lula, a atual presidente Dilma Roussef, também fez o mesmo.
Bem antes dos dois, o ex-vice presidente d República, José Alencar, também foi transparente, 
revelando a luta que começava a travar para curar um câncer.
Enquanto a família Barbalho não vier a público esclarecer o que realmente está ocorrendo com a saúde 
do comandante-em-chefe do clã, a boataria ganhara dimensões irremovíveis.
De concreto mesmo, apenas o anúncio de que Fernando Ribeiro, suplente, assumirá o cargo de 
Barbalho, enquanto este se convalesce da doença misteriosa.
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A ESQUERDA NÃO CONTROLA O PROCESSO POLÍTICO. DEVE, POR ISSO, CUIDAR DO QUE PÕE EM MARCHA


Graça deu carne às hienas...De onde ela tirou aquele número ?

 Fernando Brito

No governo Fernando Henrique – e em todos os governos conservadores, exceto o de Collor, que 
serviu para barrar a esquerda, iniciar a privatização e, em seguida, foi defenestrado – o controle da 
política se fez não por uma amordaçamento direto da mídia, mas pela política do próprio sistema de 
comunicação, assim como fazia o Procurador-Geral Geraldo Brindeiro, “engavetar”, logo depois que 
estouravam, os escândalos políticos.
Sivam, Pasta Rosa, negociatas na privatização, compra de votos para a reeleição e uma montoeira de 
outras “bombas atômicas” foram, em prazo mais ou menos curto, desarmadas e relegadas ao armário 
dos guardados, depois de uma, outra ou meia-dúzia de matérias, muitas delas boas reportagens, admita-
se.
Mas num governo do campo popular (e por isso um inimigo para a mídia e para boa parte da elite 
judicial e parajudicial – ou alguém duvida que estes segmentos, privilegiados em meio à nossa pobreza, 
tendam ao conservadorismo?) tudo é diferente.
Vêem-se eles, pois, numa encruzilhada: para agir de forma “republicana” e honrada, muitas vezes 
partem a expor suas próprias entranhas – e alguém já falou sobre política e a fabricação de salsichas – 
fornecem elas próprias a matéria prima para as explorações e campanhas midiáticas, que amplificam os 
atos criminosos (ou mesmo outros, simplesmente equivocados) de dirigentes públicos no “mar de 
lama” que fizeram contra Getúlio Vargas.
A honestidade da Presidenta Dilma Rousseff e de Graça Foster, da Petrobras, além de não ser 
objetivamente atingida por nada que se tenha apurado só podem ser ratificada por suas decisões, 
sobretudo a de afastar da empresa, desde 2012, Paulo Roberto Costa, o ladrão confesso.
Mas incorrem em amadorismos políticos que só agravam a “onda” de que seus adversários políticos 
fazem, não apenas por objetivos políticos mas, também, contra a nossa maior empresa, alavanca do 
desenvolvimento brasileiro e marco de nossa soberania.
A produção de um relatório de diferenças contábeis na avaliação de ativos totalmente “troncho”, onde 
se misturam, além dos sobrepreços oriundos da roubalheira de Costa, fatos tão díspares quanto 
variações cambiais, de preço do petróleo, de ajustes de projetos, de especificações errôneas em projetos 
foi um destes.
Produziu-se um número gigantesco e fantasioso: R$ 88 bilhões.
Um número que, sabe qualquer um que entenda um mínimo de contabilidade empresarial, não serve 
para nada, ainda mais com ativos que não têm “valor de mercado”. Não se compra e vende uma 
refinaria como quem vende um Golzinho, em bom estado, tinindo de novo….
Não reflete coisa alguma, nem do ponto de vista do valor contábil de um ativo nem de seu valor 
econômico para o país, porque este também é critério de mensuração numa empresa que tem 
compromisso com o desenvolvimento nacional: muitas vezes é melhor fazer algo aqui, mesmo por 5 ou 
10% mais caro, do que importar: é o caso de navios, equipamentos de conteúdo nacional, instalações 
industriais, etc…
E ainda tem a questão de saber com que preço do petróleo e derivados se faz o cálculo: o da época, 
mais ou menos o mesmo de há alguns meses, ou o atual, metade disso? E se amanhã for o dobro?
Essa conta terá de ser feita a partir de cada negócio escuso: quanto custaria sem falcatruas e quanto 
custou, de fato.
Mas a direção da Petrobras, na ânsia de se mostrar confiável e honrada, produziu este número que, 
afinal, ela própria reconhece imprestável, como de fato é.
E entregou carne às hienas.
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Em conversa com Frei Betto, Fidel diz que EUA continuam ‘colonizadores’



Do dw:

Amigos de longa data, Frei Betto e Fidel Castro conversaram por uma hora e meia na residência do 
líder cubano em Havana sobre política internacional e até física quântica. O encontro ocorreu na terça-
feira (27/01).
O escritor, expoente da teologia da libertação no Brasil, estava preocupado com o estado de saúde do 
ex-presidente, que não aparecia em público e em fotos desde agosto do ano passado.
“Mas o encontrei muito bem. Ele está completamente lúcido, embora mais magro”, disse Frei Betto em 
entrevista à DW Brasil.
Enquanto anotava cada detalhe da conversa, o ex-presidente cubano, de 88 anos, disse que a abertura 
de diálogo entre os Estados Unidos e a ilha é positiva, mas o governo americano ainda é visto como 
inimigo e colonizador. “É preciso dar fim ao embargo econômico”, ressaltou Fidel.
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ASSINE: SAI DE CIMA, GILMAR !


A quem interessa a inação do ministro Gilmar ? A quem beneficia ?

A mensagem da Avaaz:

Neste momento corre uma ação no STF que pode proibir empresas de doarem milhões para candidatos e partidos políticos. Especialistas dizem que esse é o “gene da corrupção” e, para combatê-lo, precisaremos de todos.
95% de todas as doações para campanhas eleitorais foram feitas por grandes empresas — inclusive as envolvidas no escândalo Lava-jato. É assim que as empresas investem para então ganhar em troca acesso ao poder e influência, mas isso está prestes a mudar.
A maioria dos ministros do STF já votou pelo fim dessas doações, mas o processo emperrou nas mãos de um único ministro: Gilmar Mendes.
Ninguém conseguiu convencê-lo ainda — e nessa segunda-feira ele volta ao trabalho. É o momento que precisávamos. Ele sabe que não pode segurar a decisão para sempre, mas sem pressão ele vai levando. Vamos surpreender o ministro na volta das suas férias e mostrar a ele que centenas de milhares de brasileiros se uniram contra o gene da corrupção. Assine para conseguirmos a maior mudança da política brasileira nos últimos anos — depois repasse para todos:

https://secure.avaaz.org/po/o_geupcao/?bne_da_corrqzRbbb&v=52738

Se essa ação judicial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no STF for aprovada, nossa Constituição passará a dizer que só cidadãos podem escolher os representantes políticos. Hoje, os principais doadores acabam influenciando as eleições e são recompensados com a lealdade e contratos públicos generosos após seus candidatos serem eleitos. Pesquisas mostram que a cada R$1 doado por uma empresa a um candidato, R$8,50 retornam por meio de contratos públicos — um lucro exorbitante das empresas às custas de nosso voto.
Os que se opõem à mudança dizem que se proibirmos doações de empresas, aumentará o fluxo de dinheiro pelo caixa dois, o que tornará investigações mais difíceis. Mas o caixa dois já existe hoje e pouco se fez para impedir que aconteça! Se empresas não puderem contribuir com candidatos, será mais simples detectar campanhas com muito dinheiro e o caixa dois deve secar.
A lei permite que ministros peçam vista de um processo por apenas 10 dias, mas uma manobra burocrática vem segurando o julgamento já há 10 meses. Há indícios de que ele está esperando deputados que, assim como ele, são favoráveis ao dinheiro de pessoas jurídicas e preferem legalizar as doações de empresas mudando a Constituição de uma vez.
Mas o que Gilmar precisa saber é que o Brasil não pode mais esperar! Junte-se a essa ação urgente agora — vamos engrossar o apelo da OAB com nossas vozes e abraçar essa chance de salvar o país da corrupção:

https://secure.avaaz.org/po/o_gene_da_corrupcao/?bqzRbbb&v=52738

A DEMÊNCIA DAS METAS INFLACIONÁRIAS ELEVADA A CIÊNCIA



Luis Nassif

Nos anos 90, o filósofo Olavo de Carvalho escreveu um artigo memorável, "Ciência e Demência",
sobre as relações do intelectual com uma linha teórica que o consagrou.
O intelectual descobre determinada teoria. Graças a ela, torna-se conhecido, faz carreira, deve tudo a
ela. Aí começa a olhar a realidade e percebe sinais incômodos, que desmentem a sua teoria. Mas, como
ele é um intelectual, trata logo de desenvolver uma nova teoria para explicar que aquilo que ele está
vendo não existe.
Essa parece ser a relação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e de toda a cadeia de
economistas de planilha, com a teoria das metas inflacionárias.
Tombini foi o principal técnico a atuar na implementação da teoria das metas inflacionárias. Foi aos
Estados Unidos, estudou a fundo a aplicação por lá da teoria, e a trouxe para o Brasil - sob as ordens
de Arminio Fraga.
Dada às discrepâncias entre o macroambiente norte-americano e o brasileiro, muitas ideias que
funcionam por lá, ao atravessar a linha do Equador desmancham-se como velhos discos de vinil
expostos ao sol.
Mas aí entram em operação os mecanismos psicológicos-intelectuais descritos por Olavo. O sujeito
monta teorias, planilhas, correlações e outras sofisticações para provar - ao mundo mas, principalmente,
a ele próprio - que o que ele vê não existe, que é uma miragem a ser exorcizada a golpes de planilha.

Confira melhor o que quero dizer.

As metas inflacionárias

A teoria teve um mérito: levou o mercado inteiro a tentar emular a planilha do Ilan Goldjan, de
previsão da inflação, o primeiro a montá-la. E permitiu avanços na concatenação de expectativas sobre
a inflação. Ao contrário dos anos 90 de Maílson da Nóbrega, não é necessário mais ter a fonte obscura
do IBGE passando insiders sobre a inflação.
A questão maior é que a maneira como a teoria aciona os mecanismos de política monetária foge de
qualquer racionalidade. A expressão jabuticaba brasileira cai como uma luva nela.
Seu princípio é simples:
1) Define-se uma determinada meta de inflação e confere-se periodicamente as expectativas do 
mercado em relação a ela.
2) Se as expectativas estiveram acima da meta, aumenta-se a taxa básica de juros; se estiver abaixo, 
diminui-se.
3) Com isso, visa-se reduzir a demanda e, por via dessa redução, as pressões inflacionárias.

Nas economias avançadas, os efeitos sobre a inflação manifestam-se através dos seguintes canais:

1) Como os spreads bancários são bem menores que no Brasil, um aumento da taxa básica reflete-
se rapidamente sobre o custo do crédito na ponta. Assim, não são necessários grandes e custosos 
saltos para atuar sobre o crédito.
2) Como a maioria dos investimentos é pré-fixado, cada aumento dos juros reduz o valor presente 
dos títulos públicos, criando o chamado efeito-pobreza. O americano sente que seu patrimônio 
reduziu - nos fundos ou nas ações - e tratará de moderar gastos.
3) Como existem canais monetários azeitados, o aumento da taxa básica interfere nas taxas de 
longo prazo, afetando os investimentos. Articulados, todos esses mecanismos promovem uma 
redução da demanda sem exigir grandes elevações nas taxas básicas.

No Brasil não está presente nenhuma dessas características. Confira:

Com spreads muito elevados, um aumento da Selic não faz nem cócegas no valor final da prestação do
crediário ou mesmo no capital de giro de empresas pequenas e médias.
Com os títulos pós-fixados, em vez do efeito-pobreza, o aumento da Selic provoca o efeito-riqueza:
deixa o investidor com a sensação de estar mais rico e, portanto, mais propenso a gastar.
Não existe um mercado privado de financiamento de longo prazo. Os investimentos são financiados
por linhas de crédito do BNDES amarrados à TJLP, sem influência alguma da Selic.

O desmonte da política econômica

Pior: o manejo da taxa Selic desmonta todos os demais instrumentos de política econômica.
Vejamos, primeiro, de que maneira o aumento da Selic se reflete sobre a inflação:
Provoca apreciação do real, reduzindo o impacto dos chamados preços internacionalizados.
Para bancar o aumento de juros, exige cortes orçamentários em programas já em andamento.
Esse tipo de efeito sobre a inflação equivale ao uso de ventosas ou de sangria para conter a inflação.
Ou ainda, é como o médico dos anos 70 que combatia gripes com doses maciças de antibióticos, sem
se preocupar com as sequelas sobre o organismo dos pacientes.
São mecanismos tortos, irracionais. Na prática, esfrangalham com os principais instrumentos de política
econômica:
Ao impor contingenciamentos orçamentários - para fazer frente ao aumento de gastos com juros - 
arrebentam com a programação de investimentos do país e com os gastos sociais.
Anulam a política cambial, ao promover a apreciação cambial como única ferramenta de contenção da
inflação.
Anulam o remanejamento da poupança interna para o mercado de renda variável, a partir do qual
poderia financiar a infraestrutura e as empresas.

A irracionalidade da ata do BC

Tome-se a última ata do Banco Central. É de uma irracionalidade a toda prova.
Diz que vai manter a taxa Selic no alto patamar de hoje, mas vai flexibilizar o crédito.
Onde está a lógica? O aumento da Selic visa justamente reduzir a demanda por crédito. O BC informa
que vai manter a Selic elevada e aumentar o crédito. E os analistas econômicos e economistas de
mercado dizem: agora sim, o BC vai recuperar sua credibilidade.
Como assim? Se ele apresenta dois objetivos claramente conflitantes, como pretende recuperar sua
credibilidade?
Simples: a cadeia improdutiva da renda fixa criou o chamado efeito-manada, o prêmio por bom
comportamento. Se o BC aumenta os juros, em qualquer hipótese ou circunstância deve-se elogiar sua
competência e o brilhantismo de seu presidente.
Alexandre Tombini é o especialista típico descrito por Olavo de Carvalho. Fez seu nome no mercado
estudando e ajudando na implementação das metas inflacionárias.
Tem a formação do seguidor de manuais, ótimo para seguir o manual, sem fôlego para uma visão
crítica mais apurada, que pudesse conduzir a outros modelos de articulação dos instrumentos
monetários e das expectativas dos agentes econômicos.
O BC logrou montar um departamento econômico de primeira. Tão bom que consegue definir
defasagens temporais entre aumento da Selic e redução da inflação sem apontar os mecanismos
indutores da queda - câmbio apreciado e desvio de recursos fiscais e privados para bancar a renda fixa.
Uma nova política monetária exigiria do próximo governo - especialmente no caso de reeleição de
Dilma, a única candidata com propósitos claramente desenvolvmentistas - a montagem de um grupo de
trabalho e a identificação de algum jovem ou antigo talento, empenhado em substituir essas Deixe-se
para Tombini o reconhecimento do mercado financeiro e escolha-se algum candidato a reformados,
que consiga o reconhecimento futuro do país, caso desarme a armadilha do sistema de metas
inflacionárias.
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O Cuzão do Ultraje diz no Twitter para o Cuzão Gentilli processar ‘esses FDP’ do DCM


De Cuzão Roger, no Twitter:

@Roxmo: Processa esses FDP, @danilogentili! Para servir de exemplo da escrotidão dessa corja! http://t.co/lC4i6YFTVB
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PRESTAÇÂO DE CONTAS DA PETROBRAS: OS GLOBALHAS SÃO UM CONGLOMERADOS DE IDIOTAS ? OU APENAS QUEREM NOS FAZER DE IDIOTAS?



Luis Nassif

Os jornalões estão incorrendo em um ridículo intencional ao estimar a corrupção da Petrobras em R$ 
88 bilhões. Foram auxiliados pela maneira desastrada com que a empresa está calculando e anunciando 
o “Impairment” no seu balanço.
A Força Tarefa do Lava Jato levantou dois números: a taxa de propina (paga pelos fornecedores) era 
de 3%; até agora o valor total das propinas foi de R$ 2,1 bilhões. Se aplicar os 3% sobre todos os 
investimentos do período Paulo Roberto Costa, chega a R$ 4,5 bilhões – quantia elevadíssima mas 
longe dessa ficção dos R$ 88 bilhões.
Os R$ 88 bilhões do teste do Impairment nada tem a ver com corrupção. Trata-se de um teste 
estimando o valor real de um ativo calculado em cima da projeção de resultados dele.
***
Um exemplo:
O sujeito tem uma fábrica de cueca que dá lucro de R$ 100 mil por ano.
Ele define um prazo de, digamos, 10 anos, e uma taxa de juros compatível com o mercado. Digamos, 
de 10% ao ano.
Nesse caso, o valor do ativo (a fábrica de cuecas) será de R$ 614,5 mil.
Aí ocorre uma crise qualquer e derruba em 20% o resultado da companhia. Com R$ 80 mil de lucros 
anuais, o valor da empresa cai para R$ 491,6.
O teste do “Impairment” consiste em adequar o valor do ativo à nova situação. Mas não se faz 
automaticamente. O diretor da companhia chama o auditor e pondera: o mercado caiu 20% hoje mas 
pode se recuperar no próximo ano. E trata de incorporar gradativamente a diferença.
A diferença entra como ativo diferido e é tratada como despesa – ajudando a abater o Imposto de 
Renda devido.
***
O “Impairment” da Petrobras foi de R$ 88 bilhões. Significa que houve uma redução das expectativas 
de lucros de um grande conjunto de investimentos.
Parte dessa redução decorreu de gastos excessivos em alguns investimentos. Mas a maior parte foi 
decorrente da mudança do cenário econômico, com queda dos preços de petróleo, mudança no perfil 
de consumo etc.
Houve queda nos preços internacionais do petróleo que impactaram o pré-sal e derrubaram o valor 
potencial dos investimentos.
Suponha o seguinte, bem grosso modo para entender a lógica do “Impairment”.
O custo de extração do barril do pré-sal é de US$ 40,00.
A cotação internacional do barril está em US$ 120,00.
A cotação cai para US$ 50. Nesse caso o teste do “Impairment” iria definir uma baixa de quase 88% 
nos ativos do pré-sal.
Aí o mercado se recupera e a cotação vai para, digamos, US$ 70. Nesse caso, o teste iria exigir um 
aumento de 200% no valor dos ativos.
***
Por isso mesmo, nenhuma grande empresa lança de uma vez todo o ajuste do “Impairment” no 
balanço. 
E nem anuncia aos quatro ventos, como fez a diretoria da Petrobras.
Simplesmente chamaria o auditor interno e o externo, discutiria com eles e definiriam em conjunto uma 
maneira gradativa de incorporar o “Impairment” ao balanço, levando em conta o fato de que os 
cenários futuros são voláteis.
O mercado torcia por um ajuste radical porque todos esses valores seriam levados à conta de despesas, 
reduzindo drasticamente o Imposto de Renda nos próximos balanços – e, obviamente, aumentando os 
lucros.
***
Dilma precisa tirar o tema Petrobras do caminho para começar a governar. E não será com prestações 
de conta desastrosas que o tema desaparecerá do noticiário.
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MINISTRO DA CULTURA: ''QUANDO A ESQUERDA SE PARECE COM A DIREITA, QUEM GANHA É A DIREITA"


Em conversa com internautas nesta quinta-feira (29), questionado sobre o “crescente ódio ao 
PT”, ministro Juca Ferreira reconheceu falhas: “Em parte advém dos erros que foram 
cometidos. Doze anos de governo sem erros é impossível, mas abusamos no erro. Quando a 
esquerda se parece com a direita, quem ganha é a direita”, afirmou.

247 - O ministro da Cultura Juca Ferreira criticou o PT durante um bate-papo com internautas 
promovido pelo próprio partido. Questionado sobre o “crescente ódio ao PT”, ele reconheceu falhas:
“Em parte advém dos erros que foram cometidos. Doze anos de governo sem erros é impossível, mas 
abusamos no erro. Quando a esquerda se parece com a direita, quem ganha é a direita”, afirmou.
Ele também fez duras críticas à Lei Rouanet, que permite às empresas financiar apresentações culturais 
e deduzir 100% do valor gasto do Imposto de Renda. Ele afirmou que se dedicará para alterar a lei 
durante sua gestão.
Segundo Juca, 80% da verba hoje investida via Lei Rouanet é destinada a produtores culturais já 
estabelecidos em São Paulo ou no Rio. “Projetos inovadores ou da grande maioria dos Estados não 
interessam às empresas”, disse o ministro durante um “hangout”, conversa com internautas via 
Youtube.
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“Sonho do Garoto Coxinha da direita brasileira”: o modelo Globo de novelas visto da Argentina



Publicado no Unisinos. O autor é Hugo Muleiro, escritor e jornalista argentino.

O canal Telefe encerrou, nos primeiros dias de 2015, a transmissão de “Flor do Caribe”, telenovela em que a Rede Globo, emissora dominante no Brasil e que costuma perturbar os governos do Partido dos Trabalhadores com operações diversas e sofisticadas, propõe um singular modelo de organização social, em que os brancos, militares e a fé são os únicos capazes de resolver conflitos complexos e dramáticos.
A Globo é uma das maiores produtoras de telenovelas do mundo. Suas transmissões chegam a 90 países e na nossa região possui alianças com a Telefe, Canal 13 do Chile e Azteca do México, entre muitos outros. Dezenas de milhões de brasileiros podem receber, em algum momento do dia, ainda que não procurem e nem desejem, um conteúdo multimídia, por meio de seu canal central, os regionais, rádios, jornais, revistas e a grande presença na internet.
Flor do Caribe transcorre na Vila dos Ventos, balneário paradisíaco sobre o Atlântico, próximo a Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, nordeste, que teve um protagonismo modesto na Segunda Guerra, quando os Estados Unidos montaram ali uma base aérea pela localização estratégica da cidade, o ponto mais próximo do continente africano. Com autoria de Walter Negrão e direção de Jaime Monjardim, a telenovela transcorre pelos caminhos conhecidos do sujeito mau que trai o amigo bom e quer ficar com sua mulher, em um ir e vir incessante de traições e ciladas.
Porém, o produto é mais complexo já que, de acordo com a sua tendência, a Globo se preocupa em apimentar os assuntos amorosos e o desfile de corpos bronzeados nas praias e águas azuis com toques de realismo político: o avô do mau, por exemplo, é um criminoso de guerra holandês ativo no Holocausto e que, com identidade falsa, construiu um império econômico no Brasil. O politicamente correto é que termina na prisão, julgado na Alemanha.
O modelo que a Globo propõe para a história de óbvio final feliz é uma espécie de “sonho de garoto” da direita brasileira. Em Vila dos Ventos só se conquista a justiça com a ação dos “tenentes”, oficiais da base da força aérea na região.
Lateralmente, a polícia faz alguma intervenção, mas não se veem autoridades civis em nenhuma ocasião, jamais aparecem, porque a organização social que a Globo propõe não os quer.
“Os tenentes” capturam o criminoso nazista, impedem assassinatos, dão uma mão ao bom – ex-aviador militar – todas as vezes que tem um problema, e até ajudam a pintar sua casa.
O comandante, além disso, tem tempo para construir com um jovem do povo uma reprodução de um “disco voador”, que acredita ter visto na infância. Sendo que os militares são assim bons e nos garantem o que precisamos, para que iríamos querer política, eleições e funcionários públicos?
A complexidade da mensagem está dada, por sua vez, por um olhar bem humorado, liberal no bom sentido, diante de vicissitudes incontroláveis como a gravidez que chega antes do casamento ou do jovem garoto musculoso que se apaixona por uma mulher madura. Enfim, gente moderna, mas não mais do que isso, porque deslizam por sua vez em cenas de conservadorismo recalcitrante sobre a mulher.
Por exemplo, o casal principal vai procurar uma casa para viver e, no momento de discutir preço e condições, ela se retira e ele fica sozinho com o vendedor. Na cena seguinte, aparece anunciando a compra, enquanto ela toma um chá e cuida das crianças. Quando dois irmãos, dois amigos, precisam discutir um assunto importante, a mulher da casa se retira prontamente, para lhes preparar um sanduíche ou um refresco.
Não se discute a riqueza e a pobreza na Vila dos Ventos: os vulneráveis recebem a ajuda de uma ONG formada pelos ricos e com isso já estamos bem. Em momentos dramáticos, quando uma tragédia está para se abater sobre os protagonistas, não falta um personagem que encomenda para que Deus resolva o assunto. E a ele se atribui toda a felicidade. Quando o casal principal se casa, durante a comemoração alguém exclama: “Graças ao Santíssimo”. Alguns segundos antes, eles saíram do templo e os primeiros a apresentar honras são os militares, baionetas ao alto.
E algo infalível em grande parte da televisão brasileira: ainda que 52,2% dos 3,1 milhões de habitantes do Rio Grande do Norte vêm da mistura de raças, os três personagens principais são brancos, de máxima brancura, assim como os advogados, a maioria dos tenentes, o delegado policial. Mestiços e negros podem se ver, sim, trabalhando nas minas ou na pesca.
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Querem destruir a Petrobras para “salvá-la”


A Globo não engana Haroldo Lima: a Globo quer entregar aos estrangeiros.

SAIR DA CRISE COM FORÇAS REVITALIZADAS

Haroldo Lima 

Haroldo Lima é um dos pais do regime de partilha do pré-sal. Como presidente da Agência 
Nacional do Petróleo, ele ajudou Lula e Sérgio Gabrielli a desmontar a herança sinistra da 
Petrobrax, montada pelo Príncipe da Privataria e seu genro, que na presidência da ANP, se 
preparavam para “salvar” a Petrobras e seus fornecedores brasileiros.

 Foi muito positivo a Petrobras ter encerrado o ano de 2014 com dois feitos retumbantes: no dia 16 de dezembro, na província do pré-sal, chegou a extrair 700 mil bep, um recorde e, cinco dias depois, em 21 de dezembro, outro recorde, o da produção diária de 2,3 milhões de bep. A grande estatal mostrava, pela ação de seus 80 mil petroleiros, que não se deixou alquebrar pela sanha das quadrilhas que a saqueavam.

O desmonte do esquema corrupto que operava na Petrobras deve ser completo, identificando responsáveis e punindo, de forma exemplar, os que agiam dentro da Petrobras e fora dela, nas 23 empresas apontadas como vinculadas ao esquema. Segundo um dos delatores, o esquema desbaratado funcionava há quinze anos, por isso que tem de ser vasculhado em profundidade.

No ambiente embaçado que nessas horas se forma, correntes procuram aproveitar a oportunidade para agitar bandeiras enfraquecedoras da Petrobras, como o fim da partilha da produção no pré-sal e, “se couber”, a própria privatização da companhia. São posições que nada têm a ver com a crise atual e tocam em pontos que devem permanecer inalterados na estatal.

Contudo, quadrilhas se estruturaram na Petrobras e seguramente criaram hábitos, costumes e conceitos a serviço do saque, que funcionaram, “dentro das normas”, anos a fio, sem despertar suspeita. É provável que tenha sido criada uma “legalidade da fraude”, nas entranhas da empresa. A governança revelou-se permeável à corrupção e por isso deve ser submetida à mais rigorosa devassa. A Petrobras, as estatais brasileiras e todo o esquema oficial que contrata o setor privado podem sair dessa crise devidamente revitalizados e mais preparados para cumprir suas atribuições. Os recordes apontados acima mostram que a Petrobras, livrando-se das quadrilhas de falsários, pode dar monumental volta por cima.

O processo de investigar crimes, punir culpados e impermeabilizar estruturas vulneráveis ao furto correspondem ao interesse nacional, pois que a Nação precisa de empresas fortes e saudáveis, públicas e privadas, para se desenvolver.

No momento, organismos jurídicos e políticos discutem procedimentos aplicáveis à situação. Dependendo do que for feito, resultados diferentes ocorreriam. Isto nos permite examinar cenários díspares que podem advir de caminhos legais em debate.

Um cenário é o das 23 grandes empresas brasileiras, citadas na fase investigatória, serem declaradas “inidôneas” e, por força de legislação existente, ficarem impossibilitadas de firmar contratos com o poder público. Aí, de uma só tacada, todas, ou quase todas as grandes empresas brasileiras de construção pesada ficariam fora das grandes obras a serem feitas no Brasil, praticamente todas contratadas pelo poder público. Em consequência, essas grandes obras brasileiras seriam “entregues” às empresas estrangeiras do ramo, enquanto as brasileiras, mesmo com o prestígio internacional que têm, caminhariam para o cadafalso. A desindustrialização precoce da economia brasileira cresceria e com ela sua desnacionalização.

Nesse cenário, a batalha contra a corrupção na Petrobras, mesmo que exitosa, teria dado um fruto desastroso – o fim da indústria nacional de construção pesada, ou sua transformação em um grupo de importância residual.

Apesar de frequentemente essas grandes empreiteiras abusarem do poder que têm no Brasil, sua liquidação seria um prejuízo para o país. Nisso ficamos de pleno acordo com a posição expressa da presidenta Dilma. Seria uma “ingênua” forma de combate à corrupção, que não levaria em conta as repercussões para a Nação. Veríamos, constrangidos, o entusiasmo das empresas estrangeiras assumindo sozinhas nossos maiores projetos. Passaríamos a impressão de termos concluído que, pelo menos na construção pesada, os empresários brasileiros são corruptos, e os estrangeiros, vestais impolutos.

O outro cenário partiria da convicção de que país algum se desenvolveu sem contar com indústrias nacionais sólidas e reafirmaria a disposição de não abrir mão do desenvolvimento como objetivo maior da nossa política. Repudiaria, como balela, a ideia de que a Petrobras foi envolvida em corrupção por ser estatal, como se, há pouco, fraudes monumentais não tivessem posto abaixo a gigante americana de energia, a Enron, que não era estatal, e que faliu em meio a escândalos, numerosos e graves, que levaram de roldão outras tantas companhias. Defenderia, finalmente, que a punição em pauta deve ser rigorosa com diretores e funcionários corruptos, da estatal e das empresas privadas onde agiam, mas não poderia sacrificar as forças produtivas empresariais, seu acúmulo, sua tecnologia e sua força de trabalho.

A devastação a que se chegaria no primeiro cenário, lembra-nos as palavras do oficial norte-americano William Haley, após a destruição da aldeia My Lai no Vietnam: “foi necessário destruí-la para salvá-la”. A situação a que se chegaria no segundo cenário recorda-nos o adágio chinês que diz ser “necessário tratar a doença para salvar o doente”.
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